O novo Papa, segundo o taz

Difícil traduzir em poucas palavras a chamada da capa do taz de hoje: “Junta-Kumpel löst Hitlerjunge ab”. Para entender a “piada”, é necessário alguma explicacão: O “camarada da junta, militar”, do tempo da ditadura na Argentina, “substitui” o “membro da Juventude Hitlerista“. Estão a falar de Chico e Bento, respectivamente. Na linha de apoio, o novo papa é chamado, entre outras coisas, de “oportunista de passado duvidoso”.

Bento e Chico

Bento e Chico

Eu acho o taz um jornal de opinião. Muito fortes, de vez em quando, ou, melhor, quase sempre. Logo que soube que viria trabalhar aqui, comecei a acompanhar o jornal via internet. Eles são independentes financeiramente, cheios de jornalistas especialistas e gente com vontade de dizer o que pensa. Podem fazer um jornalismo diferenciado dos padrões usuais. Falam o que querem, mas também recebem uma pilha de e-mails com gente reclamando. Aliás, os proṕrios jornalistas do taz criticam as matérias dos colegas.

Todos os dias, na reunião de pauta geral, que ocorre às 9h30min, alguém le algum artigo publicado e faz uma crítica. Aliás, muitas vezes leem MUITOS artigos e saem metendo o pau – ou, de vez em quando, falando bem. Quase todos os dias, temos alguma palestra ou atividade aberta para os jornalistas do taz, colegas de outros veículos e estudantes. Hoje, por exemplo, a editora de um outro jornal veio na reunião de pauta para falar sobre a capa do taz. Ela disse que não gostou, em especial, do início do texto: “O novo papa é, a julgar a partir das informações disponíveis atualmente, um saco velho reacionário como o seu antecessor”.

E a coisa continua:

“O novo saco velho, que sempre atende pelo pseudônimo de Francisco, quando ainda se chamava Jorge Bergoglio e era arcebispo de Buenos Aires, era contra o casamento de gays e lésbicas (“plano do diabo”) e lutou contra o direito de casais do mesmo sexo adotarem (“abuso infantil”). Mesmo antes, como chefe dos jesuítas argentinos, manteve uma estreita relação com a junta militar e denunciou os opositores do regime. Mas isso é tão surpreendente? E o que nós esperávamos? Um belo africano gay que adora George Baitaille, Simone de Beauvoir e os situacionistas, o Islã, o judaísmo, ou os ensinamentos de um mendigo (…)?”

Aliás, o artigo ainda questiona se tínhamos a esperanca de ter “um papa que fuma um baseado após a missa de domingo”.

Enfim, pensei que nunca conheceria um jornal que faz jornalismo desse jeito. Eu dou like. Todos os dias – apesar de nem sempre concordar com as opnioes, acho essa postura fenomenal.

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