Johannes

Essa história comecou em 2005, quando eu ainda estudava jornalismo na PUCRS e decidi cursar uma disciplina eletiva de Portugues, da qual não me recordo o nome. No primeiro – ou talvez no segundo dia de aula – a professora mencionou que tínhamos um intercambista estrangeiro na classe. Disse que ele era alemão. Eu, com meus dois anos de estudo da língua alemã, decidi trocar algumas palavras com ele, Johannes. Conversamos um bocado naquele dia, depois nos encontramos em outros. Até no show da Avril Lavigne fomos juntos. A então namorada Suzanne foi o visitar em Porto Alegre, e eu fiz um mini-tour pelo centro histórico da capital gaúcha. Ficamos amigos. E, para mim, amigo de verdade é amigo para sempre.

Depois de 2005 nunca mais nos vimos pessoalmente. Trocamos e-mail relatando as novidades e nos falamos seguidamente no Skype. Eu fui morar em Portugal em 2009, mas acabei nunca vindo a Alemanha visitá-lo. Johannes casou com a Suzanne e teve uma filha linda, a Luisa Marie. Uma vez, em 2010, ele foi ao Porto, Portugal, cidade onde vivia. Eu estava no Brasil de férias. Um ano depois, ele foi ao Rio Grande do Sul a trabalho. Eu não estava lá. Isso, no entanto, não impediu que ele passasse uns dias na minha casa, com meus pais.

Finalmente, depois de sete anos, nos reencontramos. E pareceu que a gente nunca deixou de se ver. Foi como uma visita de velhos amigos que se veem todos os dias – ou todas as semanas. Johannes está igual. Até rejuvenesceu uns anos. Diz ele que é por conta da Luisa, que só lhe dá alegria. Quem se sentiu mais velha fui eu. Afinal, eu tinha apenas 18 anos quando me auto-apresentei em um dia qualquer de aula na universidade.

Ele sempre me disse que morava em Eppingen, uma cidadezinha de cerca de dez mil habitantes no sudoeste alemão. Mentiu. Ele vive em Kleingartach, povoado que pertence a Eppingen, com 1.800 habitantes. O verdadeiro paraíso germanico no interior. A cidadezinha comemora 1.225 anos em 2013 (isso mesmo, mil duzentos e vinte e cinco!). Tem ruazinhas estreitas cheias de casas pequeninas. Ruas limpas. Tudo verde. Pequenos arroios de água transparente. É cercada de montanhas com parreiras de uvas. Os habitantes bebem vinho e espumante proveniente do entorno do vilarejo.

1.225 anos é 2,5 vezes mais idade que o Brasil

1.225 anos é 2,5 vezes mais idade que o Brasil

Quem fica parado em uma rua de Kleingartach por cinco minutos, passará cinco minutos sem ouvir nada. Silencio absoluto. Alguns pássaros até emitem tímidos ruídos. Alguns meninos passam de skate e patinete – ou brincam com carrinhos controlados por controle remoto. Todos cumprimentam todos.

Mas não se engane: Kleingartach fica na Alemanha, ou seja, tem uma auto-bahn sem controle de velocidade logo ali do lado. Todos tem internet em casa. Até mesmo as meninas que passaram cavalgando em um dos dias que estive lá – montadas em um daqueles cavalos marrom-claro de contos de fada – devem ter um iPhone no bolso. Kleingartach conserva a beleza do interior escondendo a modernidade que cerca a Alemanha por todos os lados.

Lá embaixo fica Kleingartach. Montanhas ao redor cheias de parreiras

Lá embaixo fica Kleingartach. Montanhas ao redor cheias de parreiras

Minha viagem até lá comecou na Sexta-feira Santa. Cerca de seis horas de onibus por 99 euros ida e volta. Teria sido bom ir de trem, se não fosse tão caro: 240 euros! Desde o início de 2013, empresas privadas de onibus podem oferecer servico de transporte entre cidades. Antes de janeiro, conforme uma lei do III Reich, não podia. Havia somente trens, todos da empresa estatal Deutsch Bahn (DB). Com isso, a concorrencia faz a coisa pegar fogo, e os precos baixam.

Viajei pela MeinFernbus. O onibus é pontual. Oito horas EM PONTO partiu da estacão central de onibus de Berlin. Um dos motoristas – porque tem dois que revezam as seis horas de direcão – conferiu meu nome em um mini-Ipad. Logo após ele dar o ok, recebi um e-mail de boa viagem da empresa. Não há lugares marcados. Voce entra e pergunta: “Ist das Frei?” Se o banco estiver livre, senta. Seguimos viagem por uma Autobahn, que na Alemanha não tem limite de velocidade. Ou seja, se o seu carro aguentar 200km/h, pisa fundo e vai. O onibus seguiu numa média de 80km/h. Há internet grátis no onibus. O mais legal é quando passa pelos tuneis, que tem cerca de 3 km de extensão. Melhor do que implodir montanhas para construir estradas.

Um dos motoristas faz as vezes de bus-moco, explicando as regras da viagem: "Não pode fazer o número 2 no banheiro"

Um dos motoristas faz as vezes de bus-moco, explicando as regras da viagem: “Não pode fazer o número 2 no banheiro”

No sábado, eu, a família do Johannes, uma outra família de amigos e um estudante da Tunísia, que estava hospedado na casa dele por duas semanas, fomos visitar Heidelberg, uma cidade comparável a Gramado. Tem um castelo, ruas estreitas com comércio internacional, barraquinhas que vendem souvenirs.

A rua central de Heidelberg

A rua central de Heidelberg

Subimos até o castelo de funicular, custa 4 euros. É possível ir caminhando também – se voce não tiver rompido os ligamentos do joelho 😛 Comi o que, segundo o amigo do Johannes, o Olli, é o melhor sorvete da cidade. Para os padrões alemães, é uma cidade cara. Comparada a Gramado, Heidelberg é ridiculamente barata – mesmo multiplicando os precos em euros por tres!

O melhor sorvete da minha fruta favorita: Johannisbeeren

O melhor sorvete da minha fruta favorita: Johannisbeeren

Advertisements

1 Comment

Filed under Durante

One response to “Johannes

  1. Johannes

    Bonito artigo – parece que daqui a uma semana ou duas virao grupos de turistas para conhecer Kleingartach 🙂

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s