Leipzig, a cidade da reforma

Pequena, porém charmosa, Leipzig não me impressionou. Certa vez, quando ainda era crianca demais para um dia poder imaginar que seria possível colocar minhas patinhas no leste alemão, disse à minha mãe: um dia ainda vou a Leipzig. Enfim, eu fui.

Os tres dias que passei por ali foram suficientes para conhecer tudo. Quando cheguei na estacão de trem central, dei de cara com o Hotel Astoria. Um prédio imenso, que ocupa meia quadra, e está abandonado. Me disseram que ninguém se interessa em comprar o elefante branco, que pertence a um particular, pois a reforma saíria caro.

Aliás, Leipzig é a cidade da restauracão. Vários prédios abandonados estão sendo comprados a preco de banana para reforma. É o que se passa em Lindenau, um dos bairros da cidade. Visitei um desses “empreendimentos” adquirido por um grupo de pessoas que decidiram reformar com as próprias mãos quatro prédios de quatro andares. Pagaram cerca de 150 mil euros pelo lugar. A alguns habitantes de Lindenau parece que o local tende a perder sua essencia, caso grandes investidores comecem a comprar prédios abandonados após o fim da Guerra Fria – que são inúmeros. Aliás, não é só a mudanca de estilo do bairro que os preocupa, mas também o aumento dos precos.

Lindenau e o nascimento da especulacão imobiliária em Leipzig

Lindenau

Reforma em banheiro em Lindenau. Em alguns prédios, é preciso construir banheiros do zero. Antigamente ficavam sempre do lado de fora das habitacões.

Reforma em banheiro em Lindenau. Em alguns prédios, é preciso construir banheiros do zero. Antigamente, ficavam sempre do lado de fora.

O aluguel do metro quadrados em Leipzig fica em torno dos 5 euros. Isso quer dizer que um apartamentinho com 40 metros quadrados pode ser arrendado por 200 euros mensais. Em Berlin, o mesmo saíria por pelo menos 400. Vale mencionar que o leste alemão ainda continua recebendo ajuda do outro lado. Os salários são menores, e algumas coisas são mais baratas. Uma amiga me disse que a época dos saldos é sempre melhor em Leipzig, pois as lojas fazem melhores descontos em comparacão às filiais a oeste.

Spinnerai, um complexo artístico montado em uma antiga fábrica que fechou após a reunificacão, também é exemplo da transformacão que ocorre na cidade. Vários artistas alemães abriram ateliers no lugar. Há galerias de arte, de restauracão de antiguidades e até um cinema no complexo.

Spinnerai

Spinnerai

Visitei ainda o bairro de Grünau. Alguns dos prédios de estulo soviético ali construídos durante a Guerra Fria foram demolidos na década de 90 para evitar a desvalorizacão do local. Os alemães que decidiram migrar para o oeste simplesmente abandonaram seus apartamentos. Para não tornar Grünau uma imensa favela vertical, a cidade investe na revtalizacão do lugar, construíndo prédios mais modernos e derrubando os antigos para a construcão de áreas de lazer. O aluguel por ali pode chegar a 2 euros pelo metro quadrado.

Grünau e seu estilo soviético

Grünau e seu estilo soviético

Uma das coisas que me chamou atencão é que há pouquíssimos estrangeiros em Leipzig, o que contrasta um bocado com o que se encontra em Berlin ou em outras cidades do oeste. Chegaram a me dizer que é perigoso para um estrangeiro circular em certas partes da cidade. As ruas são um pouco mais vazias, mas nada que desperte imensa inseguranca.

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