München

O cheiro de dinheiro ainda está impregnado nas minhas narinas. Mesmo tendo voltado de München no domingo, o olor é tão forte – assim como as impressões que tive da cidade – que devo ficar mais alguns dias nessa overdose. München é intensamente calma. Se fosse possível descrever o paraíso (aquele para onde os bons vão depois que morrem), certamente pareceria-se com München. As pessoas aparentam não ter preocupacões: quando se vive numa cidade cara, mas onde ganha-se extremamente bem, deve ser essa a sensacão que se tem. Encontrar carros velhos, gastos ou extremamente antigos na rua é um desafio. Está todo mundo bem vestido e comportado. Os alemães de München sorriem e fazem amizade facilmente. Perdi a conta com quantos donos de cachorros fiz amizade em restaurantes (na Alemanha, tratam-se os cachorros como gente, e eles frequentam os mesmos lugares que nós, com os mesmos direitos).

München tem um centro pequenino, apesar de ser uma cidade espalhada. Tem bairros tão chics e caros que o metro quadrado chega a custar o meu salário mensal. Na Maximilianstraße, H&M e Zara dividem espaco com Gucci, Prada e outras marcas que minha cultura popular – ou falta de budget – não permitem pronunciar ou escrever o nome corretamente. A capital da Baviera (Bayer, em alemão, ou Bavaria, em latim) orgulha-se de ser o único estado alemão a ter o mesmo território da época dos reinados. Nunca foi dividido ou desmantelado, para após ser reunificado, como os demais estados do país. No centro de München, localiza-se a Münchner Residenz, palácio da época que haviam reis por aqui. Entrar no local, que é gigantesco e ocupa uma quadra inteira, é como voltar no tempo. Teria me sentido uma princesa, se não estivesse vestindo calcas jeans.

O salão de baile da Residenz

O salão de baile da Residenz

Mesmo ao lado da Residenz fica o local onde Hitler tentou dar seu primeiro golpe de Estado, o Putsch da Cervejaria em 1923. Ele foi preso após a tentativa frustrada de derrubar a República de Weimar e escreveu partes do livro Mein Kampf (Minha Luta) enquanto estava na prisão de Landsberg. Os turistas curtem fotografar no local. Eu achei desnecessário.

Para quem quer fazer festa, basta seguir até o fim da Maximilianstraße, que desenbocará na Maximiliamplatz, O lugar da noite. Tem uma danceteria ao lado da outra, para todos os tipos de gostos e bolsos. Há um bar pequeno chamado Lehnbachs que vale a pena conhecer. A cerveja fica em torno de 3,5 euros, e bebidas brancas por cerca de 6. Na noite que lá fui, o local estava mesmo lotado. Eu e minha amiga fomos para o fundo do bar a procura de qualquer coisa para sentar ou se escorar. Duas meninas, que pareciam modelos da capa da Vogue, perguntaram se não queríamos sentar com elas, pois tinham duas cadeiras vagas na mesa. Achei estranho, pois em Berlin não é uma coisa comum alguém oferecer espaco a um desconhecido. Em München, parece-me, é.

Segundo me informaram, e eu mesma pude verificar no sábado a noite, um clube chamado 089 é o mais popular da cidade. Fica na Maximilianplatz. Nada de música eletronica pesada – um respiro para meus ouvidos cansados do estilo musical berlinense. Para quem preferir outro estilo, basta caminhar um pouco para a direita que há uma danceteria de música eletronica chamada Rote Sonne. À esquerda do 089, está a Pacha.

Para quem quer comer pedacos estranhos de um porco, tipo joelho e cotovelo, recomendo dois restaurantes abarrotados de turistas e super famosos: o Hofbräuhaus e o Augustiner. Sobre o primeiro, li no Foursquare, que se voce vai a München em outro mes que não seja outubro, quando ocorre a Oktober Fest, precisa ir lá para sentir o mesmo clima. De fato, é verdade. Os garcons são mais simpáticos que no Augustiner, e há música típica o tempo todo – com gente balancando os canecos e gritando em alemão. A refeicão com cerveja e gorjeta incluída sai por cerca de 20 euros – mas daí depende também de quantas cervejas voce aguenta beber 😛

A verdadeira sensacão de estar no paraíso baixou em mim no domingo. Dia de sol e pessoas na rua. Calcadas lotadas. Inúmeras bicicletas. Um silencio bom que faz bem aos ouvidos. Fomos fotografar o rio Isar, que cruza a cidade. Construíram cerca de 20 pontes sobre ele. Em uma delas, alguns surfistas pegam onda todos os dias. Isso mesmo, os caras construíram uma espécie de arapuca que faz com que o rio gere ondas e ficam ali, o dia todo, todos os dias, surfando. Algumas pessoas decidiram fazer um churrasco no domingo de sol, no meio de uma das pequenas ilhas que se forma no Isar. Se aquilo não for o paraíso, não imagino o que seja.

Surfando no Isar

Surfando no Isar

Churrasquinho no Isar

Churrasquinho no Isar

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