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O Porto continua giro

O aperto no coração iniciou no momento em que meti meus pés dentro do avião da TAP, ainda em Porto Alegre. A hospedeira (aeromoça) disse-me “boa noite” em português de Portugal e eu já abri um sorriso: vou para a terrinha! Chegando em Lisboa, na manhã de terça (parti na segunda a noite), por volta das 10h30,  tive que fazer um verdadeira maratona para apanhar o comboio (trem) até o Porto. Fui a primeira do voo de 200-e-tantos a passar pela imigração. Corri um bocado para chegar ao feito. Cinco minutos de explicações depois, já estava com a entrada carimbada. Tive também sorte porque minha mala foi uma das primeiras a aparecer na esteira. Já passava das 11h quando deixei o aeroporto, apanhei (peguei) o metro e segui para a estação Oriente.

Ao comprar o bilhete, meio esbaforida, perguntei ao gajo (cara): “Qual o próximo comboio para o Porto?” Ele disse-me que era o das 11h39. E eu: “Que horas são?” Ele: “11h37”. Corri até a plataforma, com o bilhete de um pouco menos de 25 euros, para as três horas de viagem mais palpitantes da minha vida. O coração dava saltos a cada vez que o comboio passava por uma estção conhecida: Coimbra, Aveiro, Espinho e etc. Quando chegamos a Gaia, cidade ao lado do Porto, me preparei. Em pouco tempo cruzaríamos uma das seis pontes do Douro. Fiquei sem palavras quando vi a D. Luis, a Ribeira, algumas caves e o mar. Enxerguei ainda a ponte Arrábida. Um dos gajos que estava sentado ao meu lado disse: “Mas a menina está maravilhada!” E eu estava mesmo. De boca aberta e tudo. O Porto é a cidade mais linda, não só da Europa, como do mundo.

Em Campanhã, troquei de comboio e fui até a estação de São Bento. Cruzei uma avenida dos Aliados em clima de festa: à noite, o Porto enfrentaria o Málaga no Estádio do Dragão. Eu, com uma big mala e um sorriso no rosto, atravessei por meio das pessoas dizendo “peço desculpa” até a rua do Almada, onde fica o Porto Lounge Hostel (aliás, o melhor hostel do Porto, de Portugal, da Europa e do mundo!).

Meus três dias no Porto resumiram-se a compras, resolução de problemas no banco e nas duas faculdades que cursei, copos, comida e copos. Aliás, muitos copos! Bati ponto no Piolho e arredores todas as noites. Bebi tudo que não bebia desde que deixei Portugal em 2011. E é sério, não fica-se mal como no Brasil. Creio que até a bebida alcoólica é melhor do lado de cá. Não dormi quase nada. Acordei o mais cedo possível e dormia só depois da noite acabar. Tinha muitos amigos a visitar, dar beijinhos e falar da vida.

Os portugueses, como sempre, foram espetaculares. Eu não consigo parar de elogiar aquele povo que, além de educado e gentil, faz de tudo para agradar aos amigos e nos ver bem. São mesmo “cinco estrelas”, como diz-se cá. Tirei poucas fotos, como sempre, mas fiz boas compras. As coisas são ridiculamente mais baratas. Chega a ser triste perceber que somos verdadeiramente enganados ao compras qualquer coisa no Brasil.

No mais, me senti em casa. De volta a casa. A minha casa. É muito estranho visitar uma cidade que já se conhece tão bem. Até ajudei turistas com informações na rua. Lembrei perfeitamente das linhas de autocarro (ônibus) que precisava apanhar e também das estações de metro. Aliás, as sei decor. Aliás, a voz que fala no metro mudou. Em Trindade, já não dizem mais “Trindade, ligações com autocarro, blablabla, se deseja seguir no sentido Hospital São João ou Dom João II deve mudar para a linha D”. Agora a voz, que é mais simpática, pede para revalidar o ticket em caso de conexão. E isso foi a única coisa que mudou. Até mesmo os caixas do Pingo Doce continuam os mesmos, e um deles me reconheceu: “Eu lembro da menina. Faz uns seis meses que não apareces cá.” Enfim, tem mais tempo, mas eu não quis ser estúpida.

Não fui a Ribeira nem a Foz, e isso é uma pena. Comentei com a Ana, minha amiga açoriana que não gosta de ser chamada de portuguesa, e ela disse-me: “Tu já foi demais a esses sítios, não há problema.” Tem razão. Eu sempre digo que o mais importante em qualquer lugar são as pessoas. Viajo para encontrar pessoas e não conhecer lugares. Foi exatamente como gastei meu tempo na terrinha.

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A Deutsch-biblioteca de Porto Alegre

Apesar de cinza, um prédio simpático. Alto, com vidraças e layout by anos 90, cercado por árvores. Ali, na Avenida 24 de Outubro, funciona o Instituto Goethe de Porto Alegre. A entrada pode assustar um pouco: a recepção é um pouco escura e tem-se a impressão de que todo mundo fala alemão melhor do que você – talvez porque algumas das pessoas que trabalham ali tenham a língua como materna.

A entrada do Goethe

A entrada do Goethe

Dentro do prédio, mais especificamente no primeiro pavimento, fica a biblioteca. Provavelmente, a mais completa biblioteca germânica da cidade – ou, até mesmo, do Rio Grande do Sul. A bibliotecária chama-se Rosa. Ela trabalha ali há uns três anos. O chefe dela, também bibliotecário, é um alemão-meio-que-descabelado chamado Uli. Ele fala um português lento, cuidadoso, esforçando-se para abrir mais a boca e falar menos com a garganta. A Rosa tem uma irmã gêmea que trabalha na biblioteca da Aliança Francesa. Ela me contou que tem gente que frequenta ambas e as confunde.

Voltei a me associar a biblioteca do Goethe após 2.397 dias sem aparecer. Eu e a Rosa desistimos de calcular a quantos anos essa montanha de dias corresponde. Para ser sócio de lá, basta levar comprovante de residência e documento de identidade. Se for estudante, tem desconto, daí entrega cópia do comprovante junto. Para estudantes custa R$ 25 o ano, para os que não são, R$ 40. Pode retirar DVDs, CDs e livros. Há revistas e jornais para consulta local.

A biblioteca

A biblioteca

Passei cinco longos anos da minha vida estudando alemão. Fiz pelo menos cinco semestres no Instituto Goethe, frequentei um curso do idioma na UFRGS e outro na Universidade do Porto, em Portugal. E o que eu aprendi nesse tempo todo? Que alemão é complexo, complicado, esquisito… daquelas coisas difíceis de “entrar na cabeça”, mas que, ao mesmo tempo, é uma língua que me encanta por sua estrutura totalmente lógica. Com um tempo de estudo, começa-se a perceber o quão óbvio o Alemão é.

Se eu sou fluente? Olha, isso é uma coisa difícil de responder. Eu posso conversar longamente em alemão, contar a minha vida nesse idioma, falar do passado, presente ou futuro. Consigo pedir direções na rua e comida em restaurantes. Agora, escrever em um jornal impresso soa como “outros 500”. Esse foi o motivo pelo qual voltei a frequentar o Goethe todas as segundas-feiras das últimas semanas antes de partir.

Tudo, tudo auf Deutsch

Tudo, tudo auf Deutsch

Serviço:

Instituto Goethe Porto Alegre

Rua Vinte e Quatro de Outubro, 112

Telefone: 2118.7800

Site do Goethe

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Ajustando os ponteiros

A primeira coisa que  fiz quando soube que era uma das jornalistas selecionadas para participar do Internationale Journalisten Programme 2013 foi adicionar o horário de Berlin ao meu celular. Enquanto o Brasil estiver no horário de verão  – que termina em 17 de fevereiro, um dia antes do meu embarque – são três horas de diferença, ou seja, no dia 18 de fevereiro  serão quatro. Já o horário europeu de verão, que começa no final de março, vai fazer com que essa diferença seja elevada a cinco horas.

Relógios configurados

Relógios configurados

Tudo começou em agosto – ou, talvez, em julho – quando decidi me inscrever em uma espécie de programa de intercâmbio para jornalistas. O programa é financiado por uma associação alemã e conta com o patrocínio de algumas empresas privadas. Basicamente, por cerca de dois meses jornalistas latino-americanos trabalham em algum veículo de imprensa alemão, enquanto que jornalistas alemães vêm trabalhar na mídia brasileira. Depois de encaminhar os documentos que pediram – entre eles, uma carta de intenções auf Deutsch e algumas reportagens publicadas de minha autoria -, fui chamada no consulado da Alemanha em Porto Alegre para uma entrevista. Respondi a praticamente tudo em alemão, apesar de isso não ser totalmente necessário, pois as entrevistadores, apesar de alemãs, falavam português fluentemente.

Uma das perguntas foi: “Qual personalidade alemã viva você gostaria de entrevistar?”. Não pestanejei: “Angela Merkel”. Ela riram. “Você sabe o quão difícil é entrevistar a Angela Merkel?”, me peguntaram. Dei de ombros e disse: “Olha, nada é assim tão impossível.” Nesse momento cheguei a pensar que deveria ter dito “quero entrevistar o Daniel Brühl”, que deve ser algo mais fácil de se arranjar, mas, enfim, falei o que estava na ponta da língua.

A boa notícia chegou no feriado de 15 de novembro. Eu estava entre as seis selecionadas da América Latina. Mais tarde, quando voltei ao consulado  para encaminhar o visto, soube que pelo menos vinte jornalistas gaúchos tentaram o programa. Foram muitos no Brasil inteiro. Somente eu e outra brasuca, uma jornalista do O Globo, fomos selecionadas.

Serviço:

Consulado Geral da República Federal daAlemanha

Rua Prof. Annes Dias, 112 / 11º andar

Porto Alegre – RS

Fone: (51) 3224.9255

Site do Consulado

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