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Do 40 a um 36 (que cai!) em 3 meses

Eu não tenho balanca para saber quantos quilos perdi nesses tres meses de Alemanha, mas, tenho a certeza de que estou mais leve. Come-se melhor do lado de cá do Atlantico. Os alemães sabem muito bem preparar uma salada que substitui perfeitamente um churrasco. As coisas tem molho, tem mais sabor.

Meu café da manhã de todos os dias foi um doce. Daqueles grandes, suculentos. Sempre com alguma fruta misturada, pois não gosto do gosto de doce em excesso. Pessego, Kiwi, morangos, johannesbeeren. Sim: JOHANNESBEEREN, minha fruta preferida, que tem nome de gente e só existe na Alemanha.

O almoco sempre foi no taz Café. Tudo bem, admito que nem sempre: Nos primeiros dias, eu visitava o Mc Donalds do Check Point Charlie com extrema frequencia, pois a comida biológica me fazia mal. Eu até reclamava. Além de bio, tudo é hiper Scharf (apimentado). Os alemães curtem uma pimenta. Meu estomago não gostava muito, mas agora já se acostumou. Um dia, um colega perguntou: “Tu não tem o cartão do taz Café para comer ali com desconto?”. Eu disse que tinha, mas curtia hambuger-batata-cola. Hoje me embrulha o estomago só em pensar em comer alguma coisa como “salgados” ou “folhados”. Batata-frita? Nem sei mais o que é isso. Aliás, sei. E tem gosto de nada.

Eu garanto: Para passar do manequim 40 para o 36 (que cai, pois deveria ser 34!) em tres meses, basta comer direito e caminhar. Caminhar demais. A percepcão de longe e perto muda em Berlim. Tudo é longe, mas fica logo ali. Dá sempre para ir a pé. De casa pro trabalho, de transporte público, com tres conexões, levo 40 minutos. A pé deve dar uma hora e meia. Não faz tanta diferenca, sinceramente. Perdi a conta das vezes que fui caminhando para casa após expediente.

Mas aqui dá para caminhar. Posso voltar às 4 da manhã para casa caminhando na neve com a rua deserta e tenho certeza que ninguém vai me fazer algum mal. Vou me sentir um passarinho engaiolado que se alimenta de racão quando voltar. É triste, mas é real.

E, quem caminha o dia inteiro, queima os doces que consome pela manhã 🙂

Erdebeerenplunden

Erdebeerenplunden

Na Kamps

Na Kamps

O meu preferido: Johannessbeere

O meu preferido: Johannessbeere

Da padaria ali perto de casa :)

Da padaria ali perto de casa 🙂

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Tchau, taz

Eu tenho muito a dizer sobre o jornal onde trabalhei nesses tres meses em Berlin. É tão diferente do jornalismo que eu já tinha ouvido falar que temo me esquecer de algo quando relatar sobre o taz. O jornal surgiu de uma cooperativa em 1987 – mas isso qualquer um pode digitar o Google e verificar. As páginas do taz praticamente não tem anúncios publicitários: Eles se sustentam com o dinheiro de doadores – e são mais de 12 mil! Além disso, há os assinantes e a venda em banca. É editado de segunda a sexta e tem uma edicão especial no final de semana: taz am Wochenende.

O taz circula em toda a Alemanha, é um dos seis jornais nacionais do país. Tem uma visão um pouco de esquerda, mas, que no meu ponto de visto, nada lembra o significado dessa palavra. Eles não são pró-comunismo ou idolatram o Che Guevara. Como uma colega muito bem definiu: “O taz apenas mostra ao leitor como pensar de outro jeito, não do jeito que todo mundo está pensando”. Complicado? Não se voce entende o que se passa na mídia alemã.

Há uma televisão e uma rádio pública, que produzem conteúdos de qualidade. Daí tem a Axel Springer, dona do Bild e do Welt. Assumidamente de direita. Aliás, um colega que já trabalhou lá me disse que fazem os jornalistas assinarem um documento, quando do contrato, alegando que voce é pró-Israel e Estados Unidos. Não sei se é verdade, mas não duvidaria. Depois há o die Zeit, com matérias interpretativas gigantes, o Süddeutschen Zeitung, editado no sul da Alemanha, e o der Tagesspiegel, motivo do irritamente da Axel Springer, já que eles não cobram pelo conteúdo publicado na Internet. Sim, agora é moda cobrar por conteúdo de Internet, como no Brasil.

Voltando ao taz: Nós (posso me incluir?!) não cobramos por conteúdo da Internet, o leitor pode ler à vontade. No entanto, sempre aparece uma janela sugerindo que voce contribua. Se quiser, beleza. Se não, le na mesma. O jornal impresso, na banca, custa 1,60 euros. O mais barato da Alemanha, o Bild, sai por 0,70. Para quem não conhece, o Bild é o jornal que inspirou o Diário Gaúcho: mulher, futebol, sangue, fotos grandes e pouco texto.

O taz é conhecido por suas manchetes fortes. Eles são pequenos, com pouca estrutura, mas influenciam mundo afora. Aliás, os jornalistas do taz tem o menor salário da categoria na Alemanha. “Somos um jornal pobre”, me justificaram. Enquanto um jornalista do Spiegel pode ganhar mais de 4 mil euros, no taz os salários ficam em torno dos 1,5 mil euros. Mas, veja bem: Antes de julgar e dizer “NOOOOSA, QUE MÁXIMO”, saiba que os impostos na Alemanha para solteiros chegam a 40%. Isso mesmo. Ah, e tem diferenca de imposto para solteiros e casados. Ah, e mais: Não é necessário fazer faculdade de Jornalismo para ser jornalista. Por aqui, isso é ofício, que se aprende fazendo. No taz trabalham engenheiros, informáticos, economistas, sociológos, historiadores, especialistas em diversas áreas, usw. (usw = etc, em alemão).

As reuniões de pauta são abertas ao público. Sempre há grupos de escolas e universidades para ouvir. Os jornalistas sentam todos em mesas colocadas de modo a formar um círculo e os demais ficam em cadeiras, mais atrás, em volta da big mesa. Eu sempre acho mais animado quando a Ines Pohl, chefe da Redacão participa. Ela grita. Gosto do tom da voz dela em alemão. Ela comanda só com o olhar. Todos podem falar e debater o tema. Sempre há um Hausaufgabe (tema de casa), ou seja, um assunto que todos deveriam refletir sobre para chegar a uma conclusão na manhã seguinte e publicar. Quase todos os dias, alguma pessoa faz a leitura crítica do jornal. E metem o pau, se for necessário.

Eu levei a sério o trabalho aqui. Mesmo sabendo que o maior pinto do mundo está pendurado na lateral do prédio. Aliás, há testículos ali também, partes da estátua de um homem nu. Os turistas que passam pelo Check Point Charlie, que fica mesmo aqui ao lado, sempre fotografam. “Olha o pinto”, alguns dizem (traducão livre). Eu, quando estou na janela, abano. Ontem brinquei com meu chefe: “Eu sou famosa no Japão, depois de aparecer em tanta fotos com o big dick”.

O pintão

O pintão

Ontem, entreguei meu final report do programa. Falei bem do taz. Não teria como falar mal, pois as coisas por aqui são tão diferentes do que eu estou acostumada, que tive que aprender tudo. Não tem nem como comparar para definir se isso ou aquilo é melhor ou pior. No report, esqueci de agradecer aos colegas daqui. Eles foram demais. Obrigada por aturar a brasileira que rompeu com a lei do silencio na redacão. A responsável por mim aqui, Doris, esses dias foi questionada: “Mas todos os brasileiros falam assim tanto quanto ela (eu)?”. Ela disse, certeira: “Não. Ela que fala demais”. Fato é que estou falando menos. Bem menos. E me acostumei com o silecio. Vai ser uma dor de cabeca voltar à gritaria do Brasil.

Entreguei o final report também ao meu chefe do taz. Ele disse: “E o que eu faco com essa merda?”. Eu, bem simpática: “Tu le e depois usa como papel higienico”. Ele riu. Logo nos meus primeiros dias perguntei o que eu deveria fazer com os jornais velhos, pois não sabia se guardavam ou colocavam no lixo. Ele disse: “Leva pro Brasil e usa como papel higienico”. Naquele dia, eu demorei um pouco a rir.

Bom, ele leu ontem a noite e me devolveu hoje pela manhã. Kai e Beate, os chefes, disseram-me: “Muito bom teu texto. Vamos enviar a todos do jornal”. E colocaram no grupo de e-mails públicos para todos lerem as minhas impressões sobre a Alemanha, taz e IJP. Enfim, as quatro folhas de papel que entreguei a ele ontem acabaram retornando a mim. Ninguém usou-as como toilet paper 🙂

Sexta-feira é meu último dia por aqui 😦

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Praha

Eu aprendi a amar a República Tcheca em Portugal. Lembro como se fosse hoje do dia em que conheci meu ex-namorado, que tem o nome tcheco mais comum e o sobrenome tcheco mais famoso – mas isso eu só descobri depois. Achei engracado quando ele, e a amiga dele – que hoje é minha amiga! – me contaram que viviam em Brno. “What?”, eu reagi. Nina me explicou: “É a segunda maior cidade da República Tcheca”. Fiz cara de quem-sabe-tudo, mas ela percebeu que eu não sabia nada. “Eu só ouvi falar sobre Praga, sorry”, disse com cara de boba. Eles riram.

Meses após, visitei a República Tcheca pela primeira vez. O coracão da Europa. Hoje, meu coracão. Andei durantes dias por cantos que provelmente pouqíssimos estrangeiros pisaram: Široký Důl, por exemplo. Fui apresentada pessoalmente a Brno, e voltei pelo menos tres vezes lá. Circulei pela Moravia. Aprendi a gostar de Kofola (o que não é muito difícil), a pegar o pão com a mão no supermercado e a falar algumas bad-words. Percebi que apesar da maconha ser ilegal, todos os tchecos carregam um pouco no bolso. Aliás, já visitei uma plantacão particular da mesma no interior do país.

Nesse último final de semana, voltei a Praha. A chamo assim mesmo, com H. Me parece inapropriado dizer que o nome da capital da República Tcheca é Praga, com G. Isso soa como uma coisa ruim, o contrário do que a cidade é.

Além de colocar a fofoca em dia com a Nina, visitei novamente todos os pontos turísticos. Praha é diferente na primavera. A outra vez, fui no outono. Fica mais colorida, mas não perde o jeito de conto de fada. As ruas estreitas do centro podem ser facilmente entendidas em duas horas de caminhada. Para mim, bastava sentar a beira do rio ou nas escadas que levam ao castelo. Seria suficiente apenas observar as pessoas e respirar o ar tcheco.

Engracado foi a viagem de onibus até lá. Eurolines, 69 euros por ida e volta saindo de Berlin. Notei instanteneamente quando cruzamos a fronteira, mesmo sem ver placa alguma. A paisagem muda, o asfalto também. Obviamente é um país mais pobre que a vizinha Alemanha, mas o encanto está exatamente nisso. Não é preciso ser tecnológico ou super desenvolvido para ser um bom lugar de se viver – ou, no meu caso, por enquanto, visitar.

Os tchecos (e as tchecas) são todos muito bonitos, apesar de alguns parecerem “judiados”. Certa vez, me explicaram que por causa da localizacão geográfica do país, a mistura etnica foi grande. Todos passavam por ali desde sempre, já que está no centro da Europa. “Quando mais misturado um povo é, mais bonito fica”, alegaram. Verdade. Me sinto como um peixe fora da água lá. Apesar dos rostos e corpos bonitos (principalmente os bracos, sabe-se lá porque!), o mau gosto para se vestir impera: Nunca vi gostarem tanto de cores fortes e usá-las todas ao mesmo tempo; nunca vi tanta paixão por calcas militares e brincos enormes.

Creio que a República Tcheca é a verdadeira Europa. Nada de grandes corporacões ou consumismo exagerado. Nota-se que o desenvolvimento não chegou a certas cidadezinhas de lá, mas o povo não parece preocupado em te-lo. Ao contrário de Portugal, onde vivi por dois anos, os tchecos não reclamam de crise, do governo ou da vida. Eles sabem que crises sempre existiram, que os governos tendem à corrupcão e que a vida precisa ser aproveitada mesmo com todos os problemas.

Os santos que fazem milagres na Karlův most (Charles Bridge). Voce faz um pedido, esfrega a mão na parte dourada (na base) e ele se realiza. Eu garanto ;)

Os santos que fazem milagres na Karlův most (Charles Bridge). Voce faz um pedido, esfrega a mão na parte dourada (na base) e ele se realiza. Eu garanto 😉

Svíčková hovězí pečeně na smetaně: Tem que comer. Recomendo um restaurante chamado Lokal

Svíčková hovězí pečeně na smetaně: Tem que comer. Recomendo um restaurante chamado Lokal

O tal do relógio para o qual todos olham nas horas fechadas. O mais legal é o esqueleto e seu sininho :)

O tal do relógio para o qual todos olham nas horas fechadas. O mais legal é o esqueleto e seu sininho 🙂

Essas casas tem mais idades que o Brasil. Aquela senhora mora em um dos lugares mais turísticos: as escadarias que levam ao castelo

Essas casas tem mais idades que o Brasil. Aquela senhora mora em um dos lugares mais turísticos: as escadarias que levam ao castelo

A ponte do Carlos (hehe) foi construída no século XIV, mas reformada posteriormente. O pai do meu ex foi um dos que construiu essas colunas de sustentacão

A ponte do Carlos (hehe) foi construída no século XIV, mas reformada posteriormente. O pai do meu ex foi um dos que construiu essas colunas de sustentacão

Fiquei impressionada comigo mesma. Me situo tão bem em Praha que parece que vivi lá. Aliás, se alguém me diz que a língua é complicada, não terá meu apoio: Se voce conhece o som das letras, pode ler qualquer palavra em tcheco. É fácil, e o ouvido se acostuma rapidamente. Melhor do que portugues, acredite. Até porque, meus amigos tchecos tentaram aprender minha língua e não tiveram sucesso. Já eu consigo pedir comida, bebida (o mais fácil!), perguntar onde é o banheiro, negar cigarros, dizer obrigada, olá, tchau, como vai e esses blábláblá todos. Sei ler placas também. Especialmente as quais está escrito ZAKÁZÁNO!!! 🙂

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Erster Mai em Berlin

Primeiro de Maio em Berlin é dia de ir à rua protestar. Mas nem todos saem de casa com esse pretexto: a maioria só quer curtir a festa. Nossa, e que festa! Milhares de pessoas se reuniram em Kreuzberg ontem para a chamada My Fest (quando se le o nome da festa, percebe-se o trocadilho do “my” com o mes de maio: “May”). Kreuzberg é o distrito berlinense onde tradicionalmente ocorrem os protestos do Dia do Trabalho, no entanto, desde 2003, os manifestantes acabam por dividir espaco com aqueles que querem se divertir.

Nunca vi tanto turco vendendo cerveja e kebab. Aliás, acho que é o melhor dia para comer especialidades turcas em Berlin: acha-se de tudo um pouco nas barraquinhas improvisadas na rua. Tem música de todo o tipo, para todos.

Escrevi sobre o Primeiro de Maio na Alemanha para o Correio do Povo. Publicado na edicão de hoje, na página 14.

Correio do Povo, 2 de maio, pg. 14

Correio do Povo, 2 de maio, pg. 14

Fiz ainda algumas fotos que ilustram um pouco do que rolou ontem por aqui…

Multidão no Görlitzer Park, em Kreuzberg. AS árvores ao redor serviam de banheiro...

Multidão no Görlitzer Park, em Kreuzberg. AS árvores ao redor serviam de banheiro…

Um dos sacada's dj (eu que inventei o apelido)

Um dos sacada’s dj (eu que inventei o apelido)

Berlin é considerada a cidade mais suja da Alemanha, mas, ontem, passou dos limites (mas nem é tão suja, Porto Alegre é pior...)

Berlin é considerada a cidade mais suja da Alemanha, mas, ontem, passou dos limites (mas nem é tão suja, Porto Alegre é pior…)

Não curte a música? Coloca o fone e danca

Não curte a música? Coloca o fone e danca

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Deutschland gegen Deutschland

Todo mundo já sabia que ia dar Alemanha contra Alemanha na final da Liga dos Campeões. Eu aposto minhas fichas no Bayer, mas, Lewandowski, a estrela do Borussia Dortmund, mais parece um time inteiro. Enfim, esse jogo vou assistir no Brasil. A partida ocorre em Londres, no dia 24.

Saiu hoje um comentário meu no Correio do Povo, página 23.

liga

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How to get into Berghain

Experimentar digitar “how to get in” no Google. A primeira sugestão que o buscador te dará será: “How to get into Berghain” ou “How to get in Berghain”. Existem centenas de fóruns discutindo o assunto. Também, não é para menos. A Berghain é considerada a “capital mundial da música eletronica” e, provavelmente, um dos locais mais difícies de se entrar no mundo.

Eu já havia tentado entrar uma vez. Fui barrada. A questão não é ser bonita, chic, rica, hipster ou esquisita. Aliás, não há critério. Meia hora na fila da Berghain te faz perceber isso. Me disseram que grupos grandes não entram. Principalmente se for de estrangeiros. A afirmacão caiu por terra quando vi um grupo de cinco suecos entrarem. E eles estavam falando ingles o tempo todo na fila – porque também me disseram que ou voce fica em silencio na fila ou fala somente em alemão.

Chegamos – eu e minha colega de casa, Stefanie – por volta da 1 da manhã à fila da Berghain no sábado. Não estava tão congelante como da última vez que meti por lá. Encaramos tranquilamente cerca de 45 minutos de fila com uma temperatura de 5 ou 8 graus – a última vez que estive lá, encarei meia hora exposta a -12 graus! Fiquei de canto observando que tipo de gente estava sendo barrada: Um trio de meninas bonitas e bem vestidas, grupos grandes de estrangeiros (creio que odeiam espanhois por ali), casais sem nenhum defeito ou qualidade em particular, um ou dois caras sozinhos e infinitos grupos de meninas ou meninos com cara de quem só tá turistando. Teve um inglesa que fez um escandalo quando foi barrada. Comecou a gritar: “TELL ME THE REASON AND I WILL WALK AWAY”. O seguranca empurrou-a da porta da Berghain até o final da fila, gritando: “GO, GO, GO. GET OUT”. E ela gritava mais. Não sei o fim da história, pois só vi os dois brutamontes voltando e não ouvi mais a voz da inglesa, que me pareceu muito bonita, estava bem vestida e sozinha, mas foi barrada.

Enfim, como disse a Stefanie: “Everybody can get in, but not eveyone”. E é isso mesmo. Qualquer um entra lá, desde que esteja confiante o suficiente que vai conseguir. Fazer cara de blasè funciona. Sorrir para os brutamontes, também. Eu decidi mascar um chiclete de boca aberta. Falar alemão não é estritamente necessário, pois o cara que estava sozinho na nossa frente não era alemão (dava pra ver de longe) e entrou. O seguranca apenas perguntou: “How old are you?”. Ele disse que tinha 24 e foi convidado a entrar. O seguranca não fala quase nada. Ou aponta para a porta, ou seja, voce está dentro, ou apenas mexe a mão para a esquerda convidando-te a se retirar, ou seja, RAUS!!!

Ficam uns quatro homens grandes cuidando a porta. Um careca que sinaliza teu destino com a mão, outro mais velho com barba e estilo motoqueiro que está sempre sentado em um banco e te olha com cara-de-quem-comeu-e-não-gostou o tempo todo, e mais dois que deixam os VIP’s passar (sim, tem uma outra fila para VIP’s). Eles são grandes, não sorriem e nunca te explicarão porque te barraram. Aliás, recomendo não pedir explicacões. Apenas vá embora e procure outra danceteria para passar a noite.

Berghain: eu entrei :)

Berghain: eu entrei 🙂

Nunca leve camera fotográfica. Não se pode fazer vídeos ou fotos. E eles constumam barrar as pessoas, pois revistam tudo na entrada: Bolsas, casacos, cintura, bolsos, mochilas, etc e etc. Aliás, nem tente fazer fotos, pois, aparentemente, não há segurancas lá dentro, mas, de certo, se misturam às pessoas da festa e voce nunca saberá quem são. Não me pediram identidade ou qualquer documento. Menor de 18 não entra, mas não devem conferir todos. À Stefanie perguntaram se era maior de 18. Ela disse: “Tenho 29 anos”. A mulher do caixa apenas riu: “Desculpa”. Na verdade, me soou mais como elogiu. Fiquei até com inveja. Devem ter me achado com cara de acabada…

Pagamos 14 euros para entrar, após, obviamente, sermos escolhidas. A última vez que estive lá custava 12, mas era uma sexta, dia com menos movimento – nesse dia tomei um “RAUS”. A festa comeca na sexta a noite e só termina no domingo. Há pessoas que passam o final de semana na Berghain: Há um bar que vende comida, café, tortas e até sorvete. Há outros inúmeros bares onde se compra bebida alcoólica. Os precos são normais, nada diferente das demais danceterias berlinenses. Ficamos cerca de duas horas por lá, apenas pela experiencia.

O prédio me pareceu uma fábrica antiga – e provavelmente é. Logo que se passa da porta de entrada, há uma salinha à direita onde revistam todos e voce compra o ingresso. Carimbam sua mão. Daí voce saí por outra porta da salinha, mostra o carimbo para um brutamontes e entra por uma cortina de plástico recortado. Ali, naquele primeiro salão, fica a lojinha da Berghain (para quem quiser compra uma camiseta da danceteria, por exemplo) e o Garderobe (local para guardar os casacos, como chama isso em portugues mesmo?). Enfim, custa 1,5 euro por pessoa para colocar as coisas ali.

Foto proibida: o primeiro andar da Berghain, onde guardam-se os casacos

Foto proibida: o primeiro andar da Berghain, onde guardam-se os casacos

Subindo a primeira escada, há o salão principal. Música boa, no último volume, tipo ensudercedor. Eu me senti um pouco drogada ficando ali, porque as luzes, a fumaca e um cheiro doce no ar – além da música e da galera gritando – criam uma atmosfera que nunca vi em nenhum outro lugar. Há dois segundos andares. Em um fica o bar dos comes-e-bebes para quem vai extender a noite por 48 horas ali. No outro, tem uma pista de danca com música mais calma – se é que isso existe na Berghain hehe

Há inúmeros locais escuros, escondidinhos, propícios para as pessoas fazerem o que bem entenderem. Já tinham me falado que alguns decidiam chegar aos finalmentes ali mesmo e, bem, é verdade. Vi um casal, digamos, fazendo coisas. Também tinham pessoas praticamente sem roupa, uma menina dancando de sutiã, gente pedindo para ser tocada, enfim, muita informacão para um mesmo lugar. Por outro lado, vi casais comportados, dezenas de “patricinhas”, caras bonitos pulando junto com a música, gente divertida querendo conversar. Acho que a cabeca fica um tanto cansada lá dentro, pois é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e tu quer prestar atencão em tudo, enfim. Duas horas foi o suficiente para mim, já que me acabei por uma hora na pista principal e depois tirei uma sonequinha nos sofás-quase-camas que fica em uma espécie de mezanino, tipo um terceiro andar.

Certamente não circulei por todos os cantos do lugar, até porque, nunca se sabe o que se encontrará pela frente, então achei melhor ficarmos onde todo mundo estava. Infelizmente não tenho uma dica específica do tipo “para entrar na Berghain voce precisa fazer isso”. Ouvi teorias de dezenas de pessoas sobre como entrar lá antes de ir. Disseram para eu me vestir mais alternativa e não usar meus brincos de perólas. Olha, lamento, mas eu coloquei a roupa que eu quis e fui com brincos de menininha e rolou. Minha amiga estava, inclusive, de salto alto – tinham me dito também para usar botinas. A única certeza que tenho é que todos que passam por Berlin deveriam tentar a fila da Berghain, nem que seja para ser barrado. Vale a experiencia.

Quando saí, às 4h45, a fila estava maior do que quando entrei às 2h

Quando saí, às 4h45, a fila estava maior do que quando entrei às 2h

Servico:

BERGHAIN / PANORAMA BAR
Am Wriezener Bahnhof
10243 Berlin
Einlaß ab 18 Jahre!

#ficadica: Vá de táxi. Creio que as estacões de metro são um pouco longe (cerca de 20 minutos caminhando), fora que, se voce for barrado, volta de bus ou metro para casa: A caminhada vai fazer bem para esfriar a cabeca 😛

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Herr Steffen Seibert

Ele já foi ancora de um dos principais telejornais da Alemanha, mas hoje diz que está super contente e honrado em ocupar o cargo de porta-voz do governo de Angela Merkel. Há algumas semanas, conheci o vice-diretor da editoria de Política de um dos maiores jornais alemães. Ele me aconselhou: “Antes de falar com Steffen Seibert, dá uma olhada numa foto dele de uns tres anos atrás”. Segundo esse jornalista, eu poderia notar o quão “acabadaco” (desculpa pela falta de cedilhas!) Seibert está.

Apesar dos 52 anos, Seibert está mais para quarentão elegante. Aliás, creio que todas as pessoas na Alemanha aparentam ter em média uma década a menos da idade que realmente tem. A justificativa mais plausível que ouvi foi: “Quando se coloca carne numa geladeira, ela não fica velha”. Faz sentido.

Enfim, estava tentando essa entrevista há semanas. Uma colega chilena que intermediou o contato e conseguiu os minutos tão aguardados. Seriam 30, mas a conferencia da qual participou antes durou mais do que o previsto. Seibert concedeu 15 minutos.

Eu, uma colega chilena, outra brasileira e uma boliviana sentamos em uma mesinha do café da Bundespressekonferenz com Seibert. Fizemos uma breve apresentacão sobre quem éramos: “Jornalistas latino-americanas que participam de um programa chamado IJP”. Ele sorriu enquanto dizia “o que voces querem saber?”. Antes de comecarmos as perguntas, certificou-se: “Isso é apenas uma conversa, certo? Não é entrevista, certo?”. Ou seja, tudo em off.

O papo foi em ingles. Ele comecou perguntando se entendemos alguma coisa do que falaram na conferencia, que durou cerca de uma hora e da qual também participamos. Ele fez um breve resumo de 30 segundos, dizendo que falaram sobre impostos e crise europeia. Seibert respondeu todas as nossas perguntas sem pestanejar. Não “se fez” ou foi vago, apenas certeiro e pontual.

Ele comentou sobre a relacão de Dilma Rousseff com Angela Merkel. Falou sobre as eleicões de setembro, justificou algumas posturas da chanceler e comentou algo sobre o novo partido fundado na Alemanha em meados desse mes, o Alternative für Deutschland (AfD). Apesar de não poder publicar nossa conversa, tive a certeza que estou cada vez mais por dentro da política alemã. Aliás, Seibert perguntou qual de nós escrevia sobre Política, e eu fui logo respondendo: “Eu escrevo SOMENTE sobre política”. Foi depois disso que ele falou sobre Dilma e Merkel.

O saldo da pseudo-entrevista – e de outras tantas convsersas que tive com alguns membros do governo e jornalistas alemães de política – renderam muitas linhas numa matéria sobre a chanceler e as eleicões de setembro. Apesar de estarmos apenas esbarrando em maio, desde que os principais partidos alemães definiram seus candidatos à Chanceleria, no final do ano passado, o debate já comecou. Pelo menos, na mídia.

Seibert na conferencia que comeu 15 minutos do nosso encontro

Seibert na conferencia que comeu 15 minutos do nosso encontro

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