Deutschland gegen Deutschland

Todo mundo já sabia que ia dar Alemanha contra Alemanha na final da Liga dos Campeões. Eu aposto minhas fichas no Bayer, mas, Lewandowski, a estrela do Borussia Dortmund, mais parece um time inteiro. Enfim, esse jogo vou assistir no Brasil. A partida ocorre em Londres, no dia 24.

Saiu hoje um comentário meu no Correio do Povo, página 23.

liga

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How to get into Berghain

Experimentar digitar “how to get in” no Google. A primeira sugestão que o buscador te dará será: “How to get into Berghain” ou “How to get in Berghain”. Existem centenas de fóruns discutindo o assunto. Também, não é para menos. A Berghain é considerada a “capital mundial da música eletronica” e, provavelmente, um dos locais mais difícies de se entrar no mundo.

Eu já havia tentado entrar uma vez. Fui barrada. A questão não é ser bonita, chic, rica, hipster ou esquisita. Aliás, não há critério. Meia hora na fila da Berghain te faz perceber isso. Me disseram que grupos grandes não entram. Principalmente se for de estrangeiros. A afirmacão caiu por terra quando vi um grupo de cinco suecos entrarem. E eles estavam falando ingles o tempo todo na fila – porque também me disseram que ou voce fica em silencio na fila ou fala somente em alemão.

Chegamos – eu e minha colega de casa, Stefanie – por volta da 1 da manhã à fila da Berghain no sábado. Não estava tão congelante como da última vez que meti por lá. Encaramos tranquilamente cerca de 45 minutos de fila com uma temperatura de 5 ou 8 graus – a última vez que estive lá, encarei meia hora exposta a -12 graus! Fiquei de canto observando que tipo de gente estava sendo barrada: Um trio de meninas bonitas e bem vestidas, grupos grandes de estrangeiros (creio que odeiam espanhois por ali), casais sem nenhum defeito ou qualidade em particular, um ou dois caras sozinhos e infinitos grupos de meninas ou meninos com cara de quem só tá turistando. Teve um inglesa que fez um escandalo quando foi barrada. Comecou a gritar: “TELL ME THE REASON AND I WILL WALK AWAY”. O seguranca empurrou-a da porta da Berghain até o final da fila, gritando: “GO, GO, GO. GET OUT”. E ela gritava mais. Não sei o fim da história, pois só vi os dois brutamontes voltando e não ouvi mais a voz da inglesa, que me pareceu muito bonita, estava bem vestida e sozinha, mas foi barrada.

Enfim, como disse a Stefanie: “Everybody can get in, but not eveyone”. E é isso mesmo. Qualquer um entra lá, desde que esteja confiante o suficiente que vai conseguir. Fazer cara de blasè funciona. Sorrir para os brutamontes, também. Eu decidi mascar um chiclete de boca aberta. Falar alemão não é estritamente necessário, pois o cara que estava sozinho na nossa frente não era alemão (dava pra ver de longe) e entrou. O seguranca apenas perguntou: “How old are you?”. Ele disse que tinha 24 e foi convidado a entrar. O seguranca não fala quase nada. Ou aponta para a porta, ou seja, voce está dentro, ou apenas mexe a mão para a esquerda convidando-te a se retirar, ou seja, RAUS!!!

Ficam uns quatro homens grandes cuidando a porta. Um careca que sinaliza teu destino com a mão, outro mais velho com barba e estilo motoqueiro que está sempre sentado em um banco e te olha com cara-de-quem-comeu-e-não-gostou o tempo todo, e mais dois que deixam os VIP’s passar (sim, tem uma outra fila para VIP’s). Eles são grandes, não sorriem e nunca te explicarão porque te barraram. Aliás, recomendo não pedir explicacões. Apenas vá embora e procure outra danceteria para passar a noite.

Berghain: eu entrei :)

Berghain: eu entrei 🙂

Nunca leve camera fotográfica. Não se pode fazer vídeos ou fotos. E eles constumam barrar as pessoas, pois revistam tudo na entrada: Bolsas, casacos, cintura, bolsos, mochilas, etc e etc. Aliás, nem tente fazer fotos, pois, aparentemente, não há segurancas lá dentro, mas, de certo, se misturam às pessoas da festa e voce nunca saberá quem são. Não me pediram identidade ou qualquer documento. Menor de 18 não entra, mas não devem conferir todos. À Stefanie perguntaram se era maior de 18. Ela disse: “Tenho 29 anos”. A mulher do caixa apenas riu: “Desculpa”. Na verdade, me soou mais como elogiu. Fiquei até com inveja. Devem ter me achado com cara de acabada…

Pagamos 14 euros para entrar, após, obviamente, sermos escolhidas. A última vez que estive lá custava 12, mas era uma sexta, dia com menos movimento – nesse dia tomei um “RAUS”. A festa comeca na sexta a noite e só termina no domingo. Há pessoas que passam o final de semana na Berghain: Há um bar que vende comida, café, tortas e até sorvete. Há outros inúmeros bares onde se compra bebida alcoólica. Os precos são normais, nada diferente das demais danceterias berlinenses. Ficamos cerca de duas horas por lá, apenas pela experiencia.

O prédio me pareceu uma fábrica antiga – e provavelmente é. Logo que se passa da porta de entrada, há uma salinha à direita onde revistam todos e voce compra o ingresso. Carimbam sua mão. Daí voce saí por outra porta da salinha, mostra o carimbo para um brutamontes e entra por uma cortina de plástico recortado. Ali, naquele primeiro salão, fica a lojinha da Berghain (para quem quiser compra uma camiseta da danceteria, por exemplo) e o Garderobe (local para guardar os casacos, como chama isso em portugues mesmo?). Enfim, custa 1,5 euro por pessoa para colocar as coisas ali.

Foto proibida: o primeiro andar da Berghain, onde guardam-se os casacos

Foto proibida: o primeiro andar da Berghain, onde guardam-se os casacos

Subindo a primeira escada, há o salão principal. Música boa, no último volume, tipo ensudercedor. Eu me senti um pouco drogada ficando ali, porque as luzes, a fumaca e um cheiro doce no ar – além da música e da galera gritando – criam uma atmosfera que nunca vi em nenhum outro lugar. Há dois segundos andares. Em um fica o bar dos comes-e-bebes para quem vai extender a noite por 48 horas ali. No outro, tem uma pista de danca com música mais calma – se é que isso existe na Berghain hehe

Há inúmeros locais escuros, escondidinhos, propícios para as pessoas fazerem o que bem entenderem. Já tinham me falado que alguns decidiam chegar aos finalmentes ali mesmo e, bem, é verdade. Vi um casal, digamos, fazendo coisas. Também tinham pessoas praticamente sem roupa, uma menina dancando de sutiã, gente pedindo para ser tocada, enfim, muita informacão para um mesmo lugar. Por outro lado, vi casais comportados, dezenas de “patricinhas”, caras bonitos pulando junto com a música, gente divertida querendo conversar. Acho que a cabeca fica um tanto cansada lá dentro, pois é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e tu quer prestar atencão em tudo, enfim. Duas horas foi o suficiente para mim, já que me acabei por uma hora na pista principal e depois tirei uma sonequinha nos sofás-quase-camas que fica em uma espécie de mezanino, tipo um terceiro andar.

Certamente não circulei por todos os cantos do lugar, até porque, nunca se sabe o que se encontrará pela frente, então achei melhor ficarmos onde todo mundo estava. Infelizmente não tenho uma dica específica do tipo “para entrar na Berghain voce precisa fazer isso”. Ouvi teorias de dezenas de pessoas sobre como entrar lá antes de ir. Disseram para eu me vestir mais alternativa e não usar meus brincos de perólas. Olha, lamento, mas eu coloquei a roupa que eu quis e fui com brincos de menininha e rolou. Minha amiga estava, inclusive, de salto alto – tinham me dito também para usar botinas. A única certeza que tenho é que todos que passam por Berlin deveriam tentar a fila da Berghain, nem que seja para ser barrado. Vale a experiencia.

Quando saí, às 4h45, a fila estava maior do que quando entrei às 2h

Quando saí, às 4h45, a fila estava maior do que quando entrei às 2h

Servico:

BERGHAIN / PANORAMA BAR
Am Wriezener Bahnhof
10243 Berlin
Einlaß ab 18 Jahre!

#ficadica: Vá de táxi. Creio que as estacões de metro são um pouco longe (cerca de 20 minutos caminhando), fora que, se voce for barrado, volta de bus ou metro para casa: A caminhada vai fazer bem para esfriar a cabeca 😛

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Herr Steffen Seibert

Ele já foi ancora de um dos principais telejornais da Alemanha, mas hoje diz que está super contente e honrado em ocupar o cargo de porta-voz do governo de Angela Merkel. Há algumas semanas, conheci o vice-diretor da editoria de Política de um dos maiores jornais alemães. Ele me aconselhou: “Antes de falar com Steffen Seibert, dá uma olhada numa foto dele de uns tres anos atrás”. Segundo esse jornalista, eu poderia notar o quão “acabadaco” (desculpa pela falta de cedilhas!) Seibert está.

Apesar dos 52 anos, Seibert está mais para quarentão elegante. Aliás, creio que todas as pessoas na Alemanha aparentam ter em média uma década a menos da idade que realmente tem. A justificativa mais plausível que ouvi foi: “Quando se coloca carne numa geladeira, ela não fica velha”. Faz sentido.

Enfim, estava tentando essa entrevista há semanas. Uma colega chilena que intermediou o contato e conseguiu os minutos tão aguardados. Seriam 30, mas a conferencia da qual participou antes durou mais do que o previsto. Seibert concedeu 15 minutos.

Eu, uma colega chilena, outra brasileira e uma boliviana sentamos em uma mesinha do café da Bundespressekonferenz com Seibert. Fizemos uma breve apresentacão sobre quem éramos: “Jornalistas latino-americanas que participam de um programa chamado IJP”. Ele sorriu enquanto dizia “o que voces querem saber?”. Antes de comecarmos as perguntas, certificou-se: “Isso é apenas uma conversa, certo? Não é entrevista, certo?”. Ou seja, tudo em off.

O papo foi em ingles. Ele comecou perguntando se entendemos alguma coisa do que falaram na conferencia, que durou cerca de uma hora e da qual também participamos. Ele fez um breve resumo de 30 segundos, dizendo que falaram sobre impostos e crise europeia. Seibert respondeu todas as nossas perguntas sem pestanejar. Não “se fez” ou foi vago, apenas certeiro e pontual.

Ele comentou sobre a relacão de Dilma Rousseff com Angela Merkel. Falou sobre as eleicões de setembro, justificou algumas posturas da chanceler e comentou algo sobre o novo partido fundado na Alemanha em meados desse mes, o Alternative für Deutschland (AfD). Apesar de não poder publicar nossa conversa, tive a certeza que estou cada vez mais por dentro da política alemã. Aliás, Seibert perguntou qual de nós escrevia sobre Política, e eu fui logo respondendo: “Eu escrevo SOMENTE sobre política”. Foi depois disso que ele falou sobre Dilma e Merkel.

O saldo da pseudo-entrevista – e de outras tantas convsersas que tive com alguns membros do governo e jornalistas alemães de política – renderam muitas linhas numa matéria sobre a chanceler e as eleicões de setembro. Apesar de estarmos apenas esbarrando em maio, desde que os principais partidos alemães definiram seus candidatos à Chanceleria, no final do ano passado, o debate já comecou. Pelo menos, na mídia.

Seibert na conferencia que comeu 15 minutos do nosso encontro

Seibert na conferencia que comeu 15 minutos do nosso encontro

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1 euro

Tinha uma moeda de 1 euro no banco do metro. Estava bem no cantinho, na costura do estofamento, entre o encosto e a parte onde se senta. Logo que eu entrei no vagão, eu a vi. Moedas de 1 euro são reconhecíveis à distancia. Creio que o material do qual são feitas é algo especial e caro, que brilha, dificilmente suja e mantem a moeda, mesmo velhinha, com aspecto de nova. Mas bem, vamos voltar ao euro do metro.

Os bancos desse metro não são comuns, daqueles enfileirados um a frente do outro. Os bancos são compridos e se estendem pelas laterais, de modo que quem senta fica com a cabeca encostada na janela. Tinha muito espaco para sentar quando entrei. Me afastei um pouco do pedacinho de banco onde a moeda descansava. Fiquei observando: Será que alguém vai pegar?

Uma mulher loira, de bolsa branca, sentou por cima da moeda. Ou não viu, ou não deu bola. Tres estacões depois, a loira levantou e saiu. A moeda, continuou viagem. Notei que algumas pessoas notaram o euro. Mas ninguém simulou uma tentativa de resgate (ou seria roubo?). Apenas olhavam e depois voltavam a ler seus livros ou mexer nos seus celulares.

Finalmente chegou minha estacão. Desci, mas antes verifiquei a moeda. Ainda lá. Aliás, deve estar no mesmo lugar até agora. É difícil alguém pegar o que não é seu por aqui, mesmo que seja dinheiro. E, convenhamos, se tratando de 1 euro, que não serve para comprar grande coisa, ninguém vai fazer isso, pelo menos não em público. Talvez, à noite, o vagão esvazie e daí alguém recolha a moeda.

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Aqui na Alemanha…

… tratam-se os cachorros como gente. Eles entram em supermercados, lojas de roupas, restaurantes e no transporte público. Não necessariamente usam coleiras, mas sabem muito bem como se comportar em qualquer um desses lugares.

… cerveja é considerada alimento. E o pior é que alimenta mesma. Qualquer cerveja alemão, por mais vagabunda e barata que seja, faz com que as cervejas brasileiras se parecam mais com água suja com cevada engarrafada.

… o transporte público nunca atrasa. O máximo que me ocorreu foi o metro travar por dez minutos porque algum problema ocorreu na linha. É comum que os trams (bondes) cheguem um ou dois minutos antes do horário que deveriam.

… pedestre espera o sinal verde para cruzar mesmo que não venham carros. À noite, até há gente que atravessa a rua com sinal vermelho, mas não é uma coisa muito comum. Se há criancas esperando na calcada para cruzar a rua, ninguém se atrave a dar um passo para frente antes que a sinaleira permita.

… há faixas de pedestres retas e na diagonal, para cortar caminho ao atravessar.

… sempre dão troco. Mesmo que seja 1 centimo.

… há pelo menos quatro tipos de lixeira, e espera-se que todos separem o lixo dessa maneira: Plástico, papel, vidro e organico. Já vi lixeiras que separam vidros e plásticos por cor (verde, transparente, preto, etc e etc). Às vezes tem diferenciacão para papel e papelão também.

… se voce compra um produto numa loja e depois se arrepende, não tem problema. Volta lá que te devolvem o dinheiro ou extornam do cartão. Nada de pegar vale-compra para trocar na mesma loja. O dinheiro é seu, voce não quer o produto, te devolvem. Simples assim. Aliás, isso não ocorre só na Alemanha, mas na Europa toda. Aqui consumidor realmente tem direitos.

… pelo menos 50% das pessoas que estão no metro/tram/s-bahn estão lendo. Livros, revistas ou jornais. Alguns usam tablets para ler.

… não existem assentos ou filas especiais para idosos ou gestantes. E não é comum as pessoas cederem seu lugar. Esperam na mesma, como os demais.

… é impossível trocar uma nota de 500 euros. Até no banco negam. Tem várias lojas que já avisam em placas que “não tem troco para 500”. O único jeito (descobri recentemente) é comprar alguma coisa na Zara. Lá eles trocam 🙂

… se voce está na rua com problemas, perdida ou buscando informacão, chega em alguém e pergunta. Ninguém nunca vai parar para te ajudar “do nada”. Tem que pedir, sempre.

… a maioria dos alemães considera que escovar os dentes mais de uma vez por dia faz mal.

… os alemães são sempre pontuais.

… os alemães “rapam” o prato por maior que ele seja.

… mulheres e homens arrotam em público.

… é melhor assoar seu nariz mesmo em público do que ficar “fungando”. Alemães odeiam pessoas que fungam. Assoa o nariz logo, por mais constrangedor que isso pareca ser.

… as pessoas necessariamente não foram filas. Todos sabem quem chegou antes, então não precisam ficar um atrás do outro. É uma coisa meio óbvia e funciona super bem. Claro, todos respeitam.

… a rua é tratada como parte da casa. É normal deitar na calcada, fazer topless no parque ou pique-nique em qualquer pedaco de grama.

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Os 70 que agora são 90

Foi irresistível. Não consegui não pedir para ficar mais. Depois do pessoal do taz concordar com a prorrogacão minha estadia, pedi permissão do Correio do Povo. Rolou. Ainda bem. Não conseguiria me imaginar indo embora no dia 1 de maio. Isso significaria perder as manifestacões do Dia do Trabalho – que, segundo me informaram, são fantásticas, gigantescas e um bocado violentas para o estilo alemão. Fora que em meados de maio ocorre um evento chamado Carnaval da Cultura, com desfiles na rua e festas non-stop. Não poderia me despedir sem ver isso, sem reportar e escrever sobre o tipo de coisa que não sei se vou ter uma segunda oportunidade de presenciar nessa existencia.

A primevera finalmente chegou, mas já está com cara de verão. Tem gente andando de chinelos de dedos e saias curtas na rua enquanto os termometros ainda marcam apenas 20 graus. A influencia da continentalidade faz com que a temperatura cresca exponencialmente do dia para a noite em Berlin. Obviamente o inverno foi muito charmoso e, até a semana passada, ainda nevava. Hoje, já ando sem casaco e até dei uma suadinha já. Em casa e no trabalho já não se usa mais heating.

Segundo contagem própria que intitulou esse blog, minha estadia aqui estaria limitada a 70 dias. Agora são 90. Tenho mais 20 dias para descobrir Berlin. Mais alguns dias para aproveitar a comecinho do verão europeu. Só não me conformo que, quando a coisa comecar a esquentar de fato, vou fazer as malas e rumar a Porto Alegre. Paciencia. Esse, com certeza, não será meu último verão na Europa. Além disso, preciso respeitar as regras da imigracão: Brasuca só pode ficar 90 dias na União Europeia sem visto.

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München

O cheiro de dinheiro ainda está impregnado nas minhas narinas. Mesmo tendo voltado de München no domingo, o olor é tão forte – assim como as impressões que tive da cidade – que devo ficar mais alguns dias nessa overdose. München é intensamente calma. Se fosse possível descrever o paraíso (aquele para onde os bons vão depois que morrem), certamente pareceria-se com München. As pessoas aparentam não ter preocupacões: quando se vive numa cidade cara, mas onde ganha-se extremamente bem, deve ser essa a sensacão que se tem. Encontrar carros velhos, gastos ou extremamente antigos na rua é um desafio. Está todo mundo bem vestido e comportado. Os alemães de München sorriem e fazem amizade facilmente. Perdi a conta com quantos donos de cachorros fiz amizade em restaurantes (na Alemanha, tratam-se os cachorros como gente, e eles frequentam os mesmos lugares que nós, com os mesmos direitos).

München tem um centro pequenino, apesar de ser uma cidade espalhada. Tem bairros tão chics e caros que o metro quadrado chega a custar o meu salário mensal. Na Maximilianstraße, H&M e Zara dividem espaco com Gucci, Prada e outras marcas que minha cultura popular – ou falta de budget – não permitem pronunciar ou escrever o nome corretamente. A capital da Baviera (Bayer, em alemão, ou Bavaria, em latim) orgulha-se de ser o único estado alemão a ter o mesmo território da época dos reinados. Nunca foi dividido ou desmantelado, para após ser reunificado, como os demais estados do país. No centro de München, localiza-se a Münchner Residenz, palácio da época que haviam reis por aqui. Entrar no local, que é gigantesco e ocupa uma quadra inteira, é como voltar no tempo. Teria me sentido uma princesa, se não estivesse vestindo calcas jeans.

O salão de baile da Residenz

O salão de baile da Residenz

Mesmo ao lado da Residenz fica o local onde Hitler tentou dar seu primeiro golpe de Estado, o Putsch da Cervejaria em 1923. Ele foi preso após a tentativa frustrada de derrubar a República de Weimar e escreveu partes do livro Mein Kampf (Minha Luta) enquanto estava na prisão de Landsberg. Os turistas curtem fotografar no local. Eu achei desnecessário.

Para quem quer fazer festa, basta seguir até o fim da Maximilianstraße, que desenbocará na Maximiliamplatz, O lugar da noite. Tem uma danceteria ao lado da outra, para todos os tipos de gostos e bolsos. Há um bar pequeno chamado Lehnbachs que vale a pena conhecer. A cerveja fica em torno de 3,5 euros, e bebidas brancas por cerca de 6. Na noite que lá fui, o local estava mesmo lotado. Eu e minha amiga fomos para o fundo do bar a procura de qualquer coisa para sentar ou se escorar. Duas meninas, que pareciam modelos da capa da Vogue, perguntaram se não queríamos sentar com elas, pois tinham duas cadeiras vagas na mesa. Achei estranho, pois em Berlin não é uma coisa comum alguém oferecer espaco a um desconhecido. Em München, parece-me, é.

Segundo me informaram, e eu mesma pude verificar no sábado a noite, um clube chamado 089 é o mais popular da cidade. Fica na Maximilianplatz. Nada de música eletronica pesada – um respiro para meus ouvidos cansados do estilo musical berlinense. Para quem preferir outro estilo, basta caminhar um pouco para a direita que há uma danceteria de música eletronica chamada Rote Sonne. À esquerda do 089, está a Pacha.

Para quem quer comer pedacos estranhos de um porco, tipo joelho e cotovelo, recomendo dois restaurantes abarrotados de turistas e super famosos: o Hofbräuhaus e o Augustiner. Sobre o primeiro, li no Foursquare, que se voce vai a München em outro mes que não seja outubro, quando ocorre a Oktober Fest, precisa ir lá para sentir o mesmo clima. De fato, é verdade. Os garcons são mais simpáticos que no Augustiner, e há música típica o tempo todo – com gente balancando os canecos e gritando em alemão. A refeicão com cerveja e gorjeta incluída sai por cerca de 20 euros – mas daí depende também de quantas cervejas voce aguenta beber 😛

A verdadeira sensacão de estar no paraíso baixou em mim no domingo. Dia de sol e pessoas na rua. Calcadas lotadas. Inúmeras bicicletas. Um silencio bom que faz bem aos ouvidos. Fomos fotografar o rio Isar, que cruza a cidade. Construíram cerca de 20 pontes sobre ele. Em uma delas, alguns surfistas pegam onda todos os dias. Isso mesmo, os caras construíram uma espécie de arapuca que faz com que o rio gere ondas e ficam ali, o dia todo, todos os dias, surfando. Algumas pessoas decidiram fazer um churrasco no domingo de sol, no meio de uma das pequenas ilhas que se forma no Isar. Se aquilo não for o paraíso, não imagino o que seja.

Surfando no Isar

Surfando no Isar

Churrasquinho no Isar

Churrasquinho no Isar

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