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O dia em que fui barrada no baile

Sexta-feira, dia de noite forte nos quatro cantos de Berlin. Eu e dois amigos brasucas decidimos encarar a fila da Berghain, um dos clubes mais famosinhos da cidade. Para chegar lá, de transporte público, foi um bocado complicado. Primeiro porque o Google mais ou menos nos mentiu onde era, então tivemos que descer na estação do S-Bahn (strasse bahn, o metro que anda “por cima”) e caminhar uns dois quilômetros. Fora o frio, beleza. Eu estava sem salto mesmo.

No caminho, estávamos jogando conversa fora para não morrer de frio, e juvenil lembrou que saiu de casa sem documentos. KEINE AUSWEISE! Isso é um grande problema por aqui, porque quase todos os clubes pedem identidade, passaporte, qualquer coisa que diga qual a sua idade. Enfim, seguimos em frente, pois sabíamos que seria super difícil de entrar, já que aqui eles escolhem as pessoas. Sim, ELES ESCOLHEM AS PESSOAS!

Avistamos o casarão antigo, do estilo “a guerra não acabou” e entramos na fila. Estava cheia de japas, gringos diversos e gente esquisita. Começamos a observar as pessoas, falando português baixinho, para não chamar atenção. Queríamos descobrir que tipo de gente era barrada e quem entrava. Por fim, soubemos da pior forma.

Tinha um anão na nossa frente. Ele estava sozinho. Eu comentei com um dos amigos: “Bah, certeza que o anão vai se fuder!” Que nada, o anão entrou. Chegou a nossa vez. Aliás, antes de nós, uns espanhois tinham sido barrados e ficaram discutindo com os seguranças que tinham mais do que 3×3. Mais gente foi barrada na nossa frente. Aliás, de umas dez ou quinze pessoas na nossa frente, só o anão entrou. Bem, chegou a nossa vez. O segurança se dirigiu a mim: “Zwei?”. E eu disse que não, éramos três, afinal. Ele deu uma olhada na minha cara, olhou os dois que estavam comigo. Por fim, deu uma bizoiada na fila e fez que não com o rosto. Na boa, me senti mal. Enquanto estava na fila, parecia que o Schindler (aquele da lista) estava na ponta escolhendo quem salvaria da câmara de gás. Afinal, morri asfixiada.

Ao invés de ir para casa, seguimos para outra festa, a Matrix. Ela é bem popular entre os estrangeiros, mas os alemães não curtem muito. Para saber o estilo de uma balada por aqui, eu sempre costumo pergunta se toca Black Eyed Peas. Porque, se toca isso, toca até Naldo. Assim também dá pra distinguir as baladas somente eletrônicas, das que tocam “músicas cantadas”. Enfim, a Matrix fica numa estação desativada de metro. Tem uma galera bebendo nos arredores, um lugar sinistro, cheio de becos. Se fosse no Brasil, JAMAIS eu encarava um pico desses.

Na fila da balada, encontramos uns amigos de amigos. Nosso grupo aumentou para sete. Éramos quatro brasucas, uma sueca e dois suíços. A sueca e a suíça foram a frente. O cara pegou a suíça, que se chama Marie, pelo braço e disse algo como “aqui não aceitamos drogados. RAUS!” A menina estava um bocado bêbada, com olhos baixinhos, mas não havia usado drogas, creio eu. Na mesma, eu não entraria ali porque estava sem documentos. O cara da porta, depois de expulsar ela, foi logo gritando: “AUSWEISE, BITTE”. E eu, de qualquer forma, não tinha.

A tentativa número três foi uma balada que fica ali nos arredores, chama-se Watergate. Andamos um quilômetro até lá, o que, para os berlinenses, é perto demais. Enfim, o problema é que tinha uma fila gigante. Além disso, duas pessoas tinham menos de 21 anos, e eu estava sem documento para provar que era mais velha do que isso. VIELEN PROBLEMEN. Desistimos.

Daí o suíço que estava conosco teve a brilhante ideia de nos levar num beco, onde provavelmente havia gente vendendo e usando drogas apesar de eu não ter visto isso. Ele disse que ali havia uma festa, que já havia estado ali. Andamos pela calçada, descemos umas escadinhas e entramos num beco sem saída. Perfeito. Muito bom para quem estava congelando a temperatura negativa às 3 da matina. Enfim, não achamos a festa e demos o fora, pois uns turcos começaram a falar entre eles, eu fiquei espiada, os outros brasucas também, e daí forçamos os gringos a vazarem conosco.

Não satisfeitos, seguimos para o S-Bahn. Descemos em Alexander Platz e acabamos por entrar numa festa chamada Weekend. Eu já sabia que era uma porcaria, pois havia lido sobre na internet. Como não saí de casa para perder a noite, entrei. 12 euros. Facada. Mais 1,5 euros para guardar os casacos. Comprei uma bebida, dei uma volta, a música parecia sempre a mesma coisa. Acho que esqueceram no repeat. Fetsa estranha com gente esquisita entrando de casal no banheiro para fazer sei lá o quê. Dancei uma meia hora, bebi meu Moscow Mule (aquela bebida que eu comentei sobre em outro post de vodca com ginger bier) e larguei fora. Estava frio, eu estava com dor nas costas de caminhar (#fernandavelha) e queria aproveitar meu sábado.

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