Tag Archives: Berghain

How to get into Berghain

Experimentar digitar “how to get in” no Google. A primeira sugestão que o buscador te dará será: “How to get into Berghain” ou “How to get in Berghain”. Existem centenas de fóruns discutindo o assunto. Também, não é para menos. A Berghain é considerada a “capital mundial da música eletronica” e, provavelmente, um dos locais mais difícies de se entrar no mundo.

Eu já havia tentado entrar uma vez. Fui barrada. A questão não é ser bonita, chic, rica, hipster ou esquisita. Aliás, não há critério. Meia hora na fila da Berghain te faz perceber isso. Me disseram que grupos grandes não entram. Principalmente se for de estrangeiros. A afirmacão caiu por terra quando vi um grupo de cinco suecos entrarem. E eles estavam falando ingles o tempo todo na fila – porque também me disseram que ou voce fica em silencio na fila ou fala somente em alemão.

Chegamos – eu e minha colega de casa, Stefanie – por volta da 1 da manhã à fila da Berghain no sábado. Não estava tão congelante como da última vez que meti por lá. Encaramos tranquilamente cerca de 45 minutos de fila com uma temperatura de 5 ou 8 graus – a última vez que estive lá, encarei meia hora exposta a -12 graus! Fiquei de canto observando que tipo de gente estava sendo barrada: Um trio de meninas bonitas e bem vestidas, grupos grandes de estrangeiros (creio que odeiam espanhois por ali), casais sem nenhum defeito ou qualidade em particular, um ou dois caras sozinhos e infinitos grupos de meninas ou meninos com cara de quem só tá turistando. Teve um inglesa que fez um escandalo quando foi barrada. Comecou a gritar: “TELL ME THE REASON AND I WILL WALK AWAY”. O seguranca empurrou-a da porta da Berghain até o final da fila, gritando: “GO, GO, GO. GET OUT”. E ela gritava mais. Não sei o fim da história, pois só vi os dois brutamontes voltando e não ouvi mais a voz da inglesa, que me pareceu muito bonita, estava bem vestida e sozinha, mas foi barrada.

Enfim, como disse a Stefanie: “Everybody can get in, but not eveyone”. E é isso mesmo. Qualquer um entra lá, desde que esteja confiante o suficiente que vai conseguir. Fazer cara de blasè funciona. Sorrir para os brutamontes, também. Eu decidi mascar um chiclete de boca aberta. Falar alemão não é estritamente necessário, pois o cara que estava sozinho na nossa frente não era alemão (dava pra ver de longe) e entrou. O seguranca apenas perguntou: “How old are you?”. Ele disse que tinha 24 e foi convidado a entrar. O seguranca não fala quase nada. Ou aponta para a porta, ou seja, voce está dentro, ou apenas mexe a mão para a esquerda convidando-te a se retirar, ou seja, RAUS!!!

Ficam uns quatro homens grandes cuidando a porta. Um careca que sinaliza teu destino com a mão, outro mais velho com barba e estilo motoqueiro que está sempre sentado em um banco e te olha com cara-de-quem-comeu-e-não-gostou o tempo todo, e mais dois que deixam os VIP’s passar (sim, tem uma outra fila para VIP’s). Eles são grandes, não sorriem e nunca te explicarão porque te barraram. Aliás, recomendo não pedir explicacões. Apenas vá embora e procure outra danceteria para passar a noite.

Berghain: eu entrei :)

Berghain: eu entrei 🙂

Nunca leve camera fotográfica. Não se pode fazer vídeos ou fotos. E eles constumam barrar as pessoas, pois revistam tudo na entrada: Bolsas, casacos, cintura, bolsos, mochilas, etc e etc. Aliás, nem tente fazer fotos, pois, aparentemente, não há segurancas lá dentro, mas, de certo, se misturam às pessoas da festa e voce nunca saberá quem são. Não me pediram identidade ou qualquer documento. Menor de 18 não entra, mas não devem conferir todos. À Stefanie perguntaram se era maior de 18. Ela disse: “Tenho 29 anos”. A mulher do caixa apenas riu: “Desculpa”. Na verdade, me soou mais como elogiu. Fiquei até com inveja. Devem ter me achado com cara de acabada…

Pagamos 14 euros para entrar, após, obviamente, sermos escolhidas. A última vez que estive lá custava 12, mas era uma sexta, dia com menos movimento – nesse dia tomei um “RAUS”. A festa comeca na sexta a noite e só termina no domingo. Há pessoas que passam o final de semana na Berghain: Há um bar que vende comida, café, tortas e até sorvete. Há outros inúmeros bares onde se compra bebida alcoólica. Os precos são normais, nada diferente das demais danceterias berlinenses. Ficamos cerca de duas horas por lá, apenas pela experiencia.

O prédio me pareceu uma fábrica antiga – e provavelmente é. Logo que se passa da porta de entrada, há uma salinha à direita onde revistam todos e voce compra o ingresso. Carimbam sua mão. Daí voce saí por outra porta da salinha, mostra o carimbo para um brutamontes e entra por uma cortina de plástico recortado. Ali, naquele primeiro salão, fica a lojinha da Berghain (para quem quiser compra uma camiseta da danceteria, por exemplo) e o Garderobe (local para guardar os casacos, como chama isso em portugues mesmo?). Enfim, custa 1,5 euro por pessoa para colocar as coisas ali.

Foto proibida: o primeiro andar da Berghain, onde guardam-se os casacos

Foto proibida: o primeiro andar da Berghain, onde guardam-se os casacos

Subindo a primeira escada, há o salão principal. Música boa, no último volume, tipo ensudercedor. Eu me senti um pouco drogada ficando ali, porque as luzes, a fumaca e um cheiro doce no ar – além da música e da galera gritando – criam uma atmosfera que nunca vi em nenhum outro lugar. Há dois segundos andares. Em um fica o bar dos comes-e-bebes para quem vai extender a noite por 48 horas ali. No outro, tem uma pista de danca com música mais calma – se é que isso existe na Berghain hehe

Há inúmeros locais escuros, escondidinhos, propícios para as pessoas fazerem o que bem entenderem. Já tinham me falado que alguns decidiam chegar aos finalmentes ali mesmo e, bem, é verdade. Vi um casal, digamos, fazendo coisas. Também tinham pessoas praticamente sem roupa, uma menina dancando de sutiã, gente pedindo para ser tocada, enfim, muita informacão para um mesmo lugar. Por outro lado, vi casais comportados, dezenas de “patricinhas”, caras bonitos pulando junto com a música, gente divertida querendo conversar. Acho que a cabeca fica um tanto cansada lá dentro, pois é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo e tu quer prestar atencão em tudo, enfim. Duas horas foi o suficiente para mim, já que me acabei por uma hora na pista principal e depois tirei uma sonequinha nos sofás-quase-camas que fica em uma espécie de mezanino, tipo um terceiro andar.

Certamente não circulei por todos os cantos do lugar, até porque, nunca se sabe o que se encontrará pela frente, então achei melhor ficarmos onde todo mundo estava. Infelizmente não tenho uma dica específica do tipo “para entrar na Berghain voce precisa fazer isso”. Ouvi teorias de dezenas de pessoas sobre como entrar lá antes de ir. Disseram para eu me vestir mais alternativa e não usar meus brincos de perólas. Olha, lamento, mas eu coloquei a roupa que eu quis e fui com brincos de menininha e rolou. Minha amiga estava, inclusive, de salto alto – tinham me dito também para usar botinas. A única certeza que tenho é que todos que passam por Berlin deveriam tentar a fila da Berghain, nem que seja para ser barrado. Vale a experiencia.

Quando saí, às 4h45, a fila estava maior do que quando entrei às 2h

Quando saí, às 4h45, a fila estava maior do que quando entrei às 2h

Servico:

BERGHAIN / PANORAMA BAR
Am Wriezener Bahnhof
10243 Berlin
Einlaß ab 18 Jahre!

#ficadica: Vá de táxi. Creio que as estacões de metro são um pouco longe (cerca de 20 minutos caminhando), fora que, se voce for barrado, volta de bus ou metro para casa: A caminhada vai fazer bem para esfriar a cabeca 😛

Leave a comment

Filed under Durante

O dia em que fui barrada no baile

Sexta-feira, dia de noite forte nos quatro cantos de Berlin. Eu e dois amigos brasucas decidimos encarar a fila da Berghain, um dos clubes mais famosinhos da cidade. Para chegar lá, de transporte público, foi um bocado complicado. Primeiro porque o Google mais ou menos nos mentiu onde era, então tivemos que descer na estação do S-Bahn (strasse bahn, o metro que anda “por cima”) e caminhar uns dois quilômetros. Fora o frio, beleza. Eu estava sem salto mesmo.

No caminho, estávamos jogando conversa fora para não morrer de frio, e juvenil lembrou que saiu de casa sem documentos. KEINE AUSWEISE! Isso é um grande problema por aqui, porque quase todos os clubes pedem identidade, passaporte, qualquer coisa que diga qual a sua idade. Enfim, seguimos em frente, pois sabíamos que seria super difícil de entrar, já que aqui eles escolhem as pessoas. Sim, ELES ESCOLHEM AS PESSOAS!

Avistamos o casarão antigo, do estilo “a guerra não acabou” e entramos na fila. Estava cheia de japas, gringos diversos e gente esquisita. Começamos a observar as pessoas, falando português baixinho, para não chamar atenção. Queríamos descobrir que tipo de gente era barrada e quem entrava. Por fim, soubemos da pior forma.

Tinha um anão na nossa frente. Ele estava sozinho. Eu comentei com um dos amigos: “Bah, certeza que o anão vai se fuder!” Que nada, o anão entrou. Chegou a nossa vez. Aliás, antes de nós, uns espanhois tinham sido barrados e ficaram discutindo com os seguranças que tinham mais do que 3×3. Mais gente foi barrada na nossa frente. Aliás, de umas dez ou quinze pessoas na nossa frente, só o anão entrou. Bem, chegou a nossa vez. O segurança se dirigiu a mim: “Zwei?”. E eu disse que não, éramos três, afinal. Ele deu uma olhada na minha cara, olhou os dois que estavam comigo. Por fim, deu uma bizoiada na fila e fez que não com o rosto. Na boa, me senti mal. Enquanto estava na fila, parecia que o Schindler (aquele da lista) estava na ponta escolhendo quem salvaria da câmara de gás. Afinal, morri asfixiada.

Ao invés de ir para casa, seguimos para outra festa, a Matrix. Ela é bem popular entre os estrangeiros, mas os alemães não curtem muito. Para saber o estilo de uma balada por aqui, eu sempre costumo pergunta se toca Black Eyed Peas. Porque, se toca isso, toca até Naldo. Assim também dá pra distinguir as baladas somente eletrônicas, das que tocam “músicas cantadas”. Enfim, a Matrix fica numa estação desativada de metro. Tem uma galera bebendo nos arredores, um lugar sinistro, cheio de becos. Se fosse no Brasil, JAMAIS eu encarava um pico desses.

Na fila da balada, encontramos uns amigos de amigos. Nosso grupo aumentou para sete. Éramos quatro brasucas, uma sueca e dois suíços. A sueca e a suíça foram a frente. O cara pegou a suíça, que se chama Marie, pelo braço e disse algo como “aqui não aceitamos drogados. RAUS!” A menina estava um bocado bêbada, com olhos baixinhos, mas não havia usado drogas, creio eu. Na mesma, eu não entraria ali porque estava sem documentos. O cara da porta, depois de expulsar ela, foi logo gritando: “AUSWEISE, BITTE”. E eu, de qualquer forma, não tinha.

A tentativa número três foi uma balada que fica ali nos arredores, chama-se Watergate. Andamos um quilômetro até lá, o que, para os berlinenses, é perto demais. Enfim, o problema é que tinha uma fila gigante. Além disso, duas pessoas tinham menos de 21 anos, e eu estava sem documento para provar que era mais velha do que isso. VIELEN PROBLEMEN. Desistimos.

Daí o suíço que estava conosco teve a brilhante ideia de nos levar num beco, onde provavelmente havia gente vendendo e usando drogas apesar de eu não ter visto isso. Ele disse que ali havia uma festa, que já havia estado ali. Andamos pela calçada, descemos umas escadinhas e entramos num beco sem saída. Perfeito. Muito bom para quem estava congelando a temperatura negativa às 3 da matina. Enfim, não achamos a festa e demos o fora, pois uns turcos começaram a falar entre eles, eu fiquei espiada, os outros brasucas também, e daí forçamos os gringos a vazarem conosco.

Não satisfeitos, seguimos para o S-Bahn. Descemos em Alexander Platz e acabamos por entrar numa festa chamada Weekend. Eu já sabia que era uma porcaria, pois havia lido sobre na internet. Como não saí de casa para perder a noite, entrei. 12 euros. Facada. Mais 1,5 euros para guardar os casacos. Comprei uma bebida, dei uma volta, a música parecia sempre a mesma coisa. Acho que esqueceram no repeat. Fetsa estranha com gente esquisita entrando de casal no banheiro para fazer sei lá o quê. Dancei uma meia hora, bebi meu Moscow Mule (aquela bebida que eu comentei sobre em outro post de vodca com ginger bier) e larguei fora. Estava frio, eu estava com dor nas costas de caminhar (#fernandavelha) e queria aproveitar meu sábado.

Leave a comment

Filed under Durante