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Correio do Povo: “Brasil busca turistas europeus em Berlim”

Fui duas vezes na ITB. A primeira foi na quinta-feira a tarde, para reconhecer o terreno. Circulei um bocado pelos estandes da América Latina, vi os Estados Unidos e alguma coisa da Polônia. Aquilo lá é enorme, é como uma viagem através do planeta. Combinei com um amigo de encontrarmos na porta. Acontece que ele estava me esperando na saída sul, enquanto eu estava na leste. Precisei pegar um shuttle para chegar até onde ele estava. Peguei a carona e ainda caminhei um bocado! Quinta foi dia de pensar na pauta: eu estou escrevendo para o taz sobre os preparativos brasileiros para a Copa de 2014. Quis aproveitar para enviar um texto ao Correio do Povo também, já que não é sempre que se tem tanta movimentação brasuca na Alemanha em uma mesma semana: na terça-feira já havia acontecido o “Goal to Brasil”.

Deixei marcada uma entrevista com um dos diretores da Embratur para a manhã de sexta. Cheguei (como sempre!), pontualmente às 10h30. Melhor: cheguei cinco minutos antes. A assessora de imprensa ainda não estava lá. Fiquei esperando uns minutos até uma moça da recepção do estande me informar que o diretor só falaria comigo depois das 11h ou, até mesmo, depois disso. Às vezes tenho a impressão que as pessoas tão de brincadeira com a minha cara, até porque, se aqui (no blog ou na vida) eu fizer uma crítica do tipo “brasileiros não respeitam horários nem combinações” vão me achar de chata (ou chamar de metida). Enfim, sentei, tomei um cafezinho e a assessora chegou. Contei para ela que uma menina tinha me dito. Nalan, uma alemã de origem turca, foi logo me dizendo, auf Deutsch: “Deve estar havendo algum engano. Eu vou resolver isso”. Em menos de cinco minutos, ela, de fato, resolveu.

A entrevista com o Marcelo Pedroso, da Embratur, ocorreu numa salinha reservada, no centro do estande brasileiro na ITB. Em mais ou menos meia hora de conversa, escutei muito sobre o significado da Copa para o Brasil. Cheguei a conclusão que, apesar dos pesares – e de se tratar, basicamente, de “just business” para a maioria dos envolvidos -, ser escolhido para recepcionar o evento foi a melhor coisa que poderia ter acontecido para nós, brasileiros. Se não fosse assim, teríamos aeroportos reformados só em 2030, e melhorias no transporte público em 2049. Sem contar no aumento da cultura do povo – sim, porque a Copa vai fazer muita gente cair na real e perceber que o mundo é muito maior do que o Brasil.

Pedroso me disse uma coisa que achei fenomenal. Ele ouviu isso de um jornalista que o entrevistou há alguns meses. “É claro que a Copa no Brasil não vai ser como a Copa na Alemanha. Se fosse assim, não teria graça.” Certamente teremos alguns problemas, o que é típico do nosso país. Mas, convenhamos, vai ser divertido. Muito divertido. Até vou curtir a narração do Galvão Bueno na TV! (Em 2010, assisti a Copa de Portugal e achei horrível. Os narradores são péssimos e não há aquela emoção, preparação pros jogos. No Brasil, a gente faz pipoca, canta o hino, fica quietinho quando o jogo está para começar. Grita, berra, tumultua. Uma energia que eu não encontrei em outros lugares pelos quais circulei no mundo…) Creio que herdaremos muito do que lamentações da Copa de 2014. Será mais do que um mero desenvolvimento para o país. Será uma evolução.

A matéria sobre a participação brasileira na ITB foi publicada no Correio do Povo de hoje. Página 5.

CP, 10 de março de 2013, pg. 5

CP, 10 de março de 2013, pg. 5

Falou espaço no jornal para publicar o resto da entrevista com Marcelo Pedroso, diretor de Mercados Internacionais da Embratur. Achei que valia a pena colar aqui no blog. Gosto muito da fala dele ao final da matéria, onde cita as “chavinhas”, e também quando diz que “o Brasil não é uma praia com uma palmeira espetada” 🙂

Sobre a meta ousada de 10 milhões de turistas internacionais em 2020, Pedroso explica: “O nosso objetivo é que essa curva de crescimento de turistas internacionais se mantenha sustentável depois da Copa. Eventos internacionais dessa magnitude geram para os destinos que são seus receptores a capacidade de ampliar e mudar o perfil de seu público.”, Ele cita como exemplo o aumento do fluxo turístico em Barcelona, proporcionado pelas Olímpiadas de 1992. “Barcelona tinha um perfil de público limitado que com os jogos olímpicos ampliou-se e que continua a crescer. Eles aumentaram o turismo corporativo, que tem um perfil de gasto muito maior do que o de lazer.”

Para ele, a Copa deixará não só um legado esportivo, como também uma infraestrutura turística, a serviço da população e dos visitantes. O mais importante, no entanto, será o legado de imagem. “Nós estamos ligados muito a sol e praia, a samba e a futebol. Em qualquer lugar do mundo que você fale ‘eu sou brasileiro’ automaticamente as pessoas acham que você sabe sambar e jogar futebol. Eles acham que nós nascemos sambistas, porque essa foi a imagem que o Brasil projetou.” Pedroso ressalta que essa imagem do “país do samba e do futebol” é antiga e precisa ser alargada. “Quando o estrangeiro fala em samba, relaciona com o estilo projetado por Carmen Miranda na década de 30 do século passado. Se falam de futebol, citam o Pelé. Tudo que aconteceu depois é recall dessa projeção que tivemos no passado.”

Um dos objetivos da Embratur na ITB é convencer os estrangeiros de que o Brasil não é um país exótico. A mudança da visão do Brasil no exterior serviria como um gancho para alavancar o número de turistas nos próximos anos. “O Brasil não é uma praia com uma palmeira espetada. Nós somos muitos mais do que isso. Somos um país ocidental, moderno, com arquitetura, design e tecnologia. Esse Brasil tem que ser apresentado e incorporado na visão na visão dos estrangeiros“, ressalta Pedroso.

Ele relata que o grande questionamento feito pelas cidades que não sediarão os jogos da Copa é de como angariar turistas durante o evento. O diretor da Embratur, no entanto, salienta: “O nosso grande foco não devem ser os turistas da Copa, que são pessoas apaixonadas pelo evento e guardam dinheiro durante quatro anos para participar. Temos que nos preocupar com os jornalistas internacionais que vem ao Brasil.” Segundo Pedroso, mais de 30 mil jornalistas estrangeiros já estão cadastrados para desembarcar no Brasil em 2014. “Essas cidades que não são sede tem que saber buscar os jornalistas e se divulgar. Assim, vão existir no mundo. Quem tiver a melhor capacidade de fazer isso, vai se sair melhor.”

A cobertura internacional do país durante o evento é um dos eixos
estratégicos do Ministério do Turismo para multiplicar o número de turistas estrangeiros. O governo federal aposta que as reportagens divulgadas no exterior durante o evento serão positivas, mostrando a diversidade brasileira, e não os problemas. “A Copa vai acontecer de qualquer forma, porque, para o Brasil, é um evento, mas para a Fifa é um negócio. Depois que acabar a Copa, a Fifa desliga a ‘chavinha’ Brasil e liga a da Rússia. Temos que aproveitar o momento.”

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O primeiro dia no die tageszeitung – parte 2

Após almocar com a Doris, meu contato aqui, tudo ficou mais claro. Adquiri um cartão na cantina, que custa 7 euros reembolsáveis, para consumir qualquer coisa com preco de funcionário, ou seja, 50% de desconto. Ainda não tenho meu próprio login e estou me auto-pautando. Amanhã acontecem duas coisas importantes por cá: um evento da Embratur de apresentacão da Copa no Brasil para os alemães e a abertura da ITB, onde estará Angela Merkel, às 18h. Já consigo me imaginar berrando: “Angela, sprechen mit mir! Ich komme aus Brasilien!” Penso também em aplicar um “wir lieben dich” para conseguir trocar uma palavrinha. No entanto, já sei que vai ser difícil pacas e vai haver centenas (ou milhares) de jornalistas lá.

Meu chefe não está hoje. Mas a subeditora, que chama-se Beate, é bem simpática, apesar de não ter me dado trabalho. A rotina de redacão é um bocado diferente cá. Para comecar o die Taz não é um jornal comum. É uma cooperativa jornalística que se auto-denomina independente e “contrária aos grandes monopólios que atuam sobre a opinião pública”, ou seja, são um tanto quanto “inimigos” da Axel Springer, o maior conglomerado de mídia alemão, que fica logo aqui, dobrando a esquina.

Além da cafeteria, que serve um almoco delicinha por apenas 4 euros, há uma cozinha no jornal, com microondas. Há café, chá, achocolatado e leite disponível para os jornalistas. Como o jornal fica ao lado de um dos mais badalados pontos turísticos de Berlim, é provável que comer em outros restaurantes seja mais caro. Aliás, eu só paguei 4 euros pq trabalho aqui, senão pagaria o preco normal: 8 euritos. Uma coisa engracada é que alguns gostam de escrever de pé. Isso mesmo. As mesas são ajustáveis para ficar sentado ou trabalhar em pé. Entretanto, a minha mesa é um bocado mais antiga e só posso ficar sentada criando barriga 😛

Pedi gentilmente para que todos falem comigo apenas em alemão. Acaba sendo normal às pessoas me responderem em ingles, já que eu pareco uma analfabeta falando alemao. Mas isso vai melhorar. Já estou bem melhor se comparar com meu primeiro dia em Berlim. Aliás, uma dúvida que não quer calar: BerliM ou BerliN?

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