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Erster Mai em Berlin

Primeiro de Maio em Berlin é dia de ir à rua protestar. Mas nem todos saem de casa com esse pretexto: a maioria só quer curtir a festa. Nossa, e que festa! Milhares de pessoas se reuniram em Kreuzberg ontem para a chamada My Fest (quando se le o nome da festa, percebe-se o trocadilho do “my” com o mes de maio: “May”). Kreuzberg é o distrito berlinense onde tradicionalmente ocorrem os protestos do Dia do Trabalho, no entanto, desde 2003, os manifestantes acabam por dividir espaco com aqueles que querem se divertir.

Nunca vi tanto turco vendendo cerveja e kebab. Aliás, acho que é o melhor dia para comer especialidades turcas em Berlin: acha-se de tudo um pouco nas barraquinhas improvisadas na rua. Tem música de todo o tipo, para todos.

Escrevi sobre o Primeiro de Maio na Alemanha para o Correio do Povo. Publicado na edicão de hoje, na página 14.

Correio do Povo, 2 de maio, pg. 14

Correio do Povo, 2 de maio, pg. 14

Fiz ainda algumas fotos que ilustram um pouco do que rolou ontem por aqui…

Multidão no Görlitzer Park, em Kreuzberg. AS árvores ao redor serviam de banheiro...

Multidão no Görlitzer Park, em Kreuzberg. AS árvores ao redor serviam de banheiro…

Um dos sacada's dj (eu que inventei o apelido)

Um dos sacada’s dj (eu que inventei o apelido)

Berlin é considerada a cidade mais suja da Alemanha, mas, ontem, passou dos limites (mas nem é tão suja, Porto Alegre é pior...)

Berlin é considerada a cidade mais suja da Alemanha, mas, ontem, passou dos limites (mas nem é tão suja, Porto Alegre é pior…)

Não curte a música? Coloca o fone e danca

Não curte a música? Coloca o fone e danca

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O restaurante do Daniel Brühl

Apesar de morar em Prenzlauer Berg em Berlin (by the way, meu vizinho!), Daniel Brühl tem um restaurante em Kreuzberg. Talvez isso não diga muito para quem não conhece Berlin direito, mas há uma IMENSA diferenca entre os dois bairros. O primeiro ficava na antiga Alemanha Oriental, já Kreuzberg estava do outro lado do muro. Prenzlauer tem um estilo diferente. É mais chic. Cheio de casais jovens com a primeira cria. O bairro dos Yuppies, dos estrangeiros. Lotado de cafés – daqueles com mesinhas nas ruas – e lojinhas de pequenos estilistas. Prédios mais novos, já que os antigos sucumbiram com a guerra. Kreuzberg é trash. Mais cool. As ruas não são tão limpas tampouco iluminadas. Bairro de turcos, apesar de ter ficado caro demais para eles lá viverem. Os prédios velhos estão de pé ainda, a maioria, mal conservado. Quer comer kebab de verdade? Kreuzberg. Procura festa underground? Kreuzberg. Enfim, para quem quer conhecer o restaurante do Brühl, tem que ir até lá.

Para quem não o conhece, cabe uma pequena apresentacão: Daniel Brühl é meio alemão, meio espanhol. Tem uma casa em Berlin, outra em Barcelona – talvez por isso que eu ainda não tenha topado com ele na rua, pois deve estar fungindo do frio berlinense. Trabalha como ator. Fez vários filmes alemães, entre eles “Adeus, Lenin” e “Os Edukadores”. Estava também no penúltimo filme do Tarantino: Inglourious Basterds. Ele era aquele soldado alemão que assassinou uma cambada de norte-americanos durante os tres dias em que estava preso em uma torre. Daí, no filme fazem um filme sobre ele (cuidado, spoiler a seguir!), que passa no cinema que pega fogo, mas ele morre antes disso, porque a judia dona do cinema o mata e blábláblá. Enfim, creio que ele é melhor ator do que outros atores alemães famosos por aí tipo Til Schweiger.

Para quem conhece Brühl, fica a dica: Ele tem um restaurante espanhol em Berlin. Como já mencionado, fica em Kreuzberg e serve somente tapas. Tem frio e quente. Tem cerveja espanhola. Vinho de Espanha também. O nome é Bar Raval. Se voce estiver com muita-muita fome, não vá. As porcoes são pequenas e relativamente caras, se comparar ao preco da comida em outros restaurantes de Berlin. Um dos mix de tapas – tanto o quente, quanto o frio – sai por cerca de 12 euros. Serve bem duas pessoas. Uma garrafa de vinho fica por cerca de 20 euros. Os atendentes falam espanhol, aliás, devem ser todos de Espanha. Melhor fazer reserva no site do Bar Raval antes ir. Até mesmo na quarta-feira tem que ter sorte para conseguir uma mesa sem reserva.

O dono (infelizmente) não estava lá. Ponto negativo.

Nota geral? 6,5. Já comi tapas melhores (em Espanha, é claro), mas vale a visita. Conforme já dito, há melhores opcoes para comer na cidade – mais baratas também (apesar que gastei 12 euros e isso não é lá grande coisa: em Porto Alegre, com certeza, saíria mais caro).

Servico:

Bar Raval
Lübbener Straße 1
Kreuzberg
U-Bhf. Schlesisches Tor

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Andando por uma Berlin nevada

Dizer que o transporte público na Alemanha funciona não é novidade. Em Berlin, todos os bairros estão interligados por linhas de metrô, tram e trem de superfície – U-Bahn, tram e S-Bahn. Baixei um aplicativo no celular chamado iFahrinfo que resolveu todos os meus problemas enquanto eu ainda não estava acostumada com tanta informação. Hoje, duas semanas depois de chegar, já posso dizer que domino grande parte do esquema de transportes – provavelmente, nunca ei de saber como chegar a todos os lugares sem mapa, mas isso nem os berlinenses sabem.

Da minha casa, que fica em Prenzlauer Berg, até o meu trabalho, na divisa de Kreuzberg com Mitte, percorro cerca de 4,5 quilômetros. Mesmo pegando um tram até a Alexander Platz e trocando de linha de metrô duas vezes, nunca gastei mais do que 40 minutos até o taz. Isso que eu caminho muito devagar para os padrões alemães. Aqui, todos correm.

O Monates Karte (bilhete mensal do transporte público) custa 77 euros. Com ele, dá pra andar de tudo: metrô, tram e ônibus. Após às 20h de todos os dias, pode-se levar um acompanhante sem que ele tenha que pagar a passagem. Nos finais de semana, ou seja, a partir das 20h de sexta-feira até a meia-noite de domingo, o esquema do acompanhante também vale.

A única coisa que chateia um pouco é se locomover de madrugada nos dias de semana. O transporte funciona somente até a 1h, ou seja, depois disso, táxi. Devem existir ônibus noturnos, mas não tenho essa informação. Só sei que para a minha casa não há. Enfim, o valor inicial duma corrida é 3,40 euros. Geralmente, de Mitte (bairro ao centro de Berlin) até a minha casa, dá uns oito euros. Se a corrida for menor do que dois quilômetros, avisa-se o taxista que trata-se de um trecho curto. Assim, paga-se apenas quatro euritos.

Sábado de madrugada foi engraçado voltar a casa. Eu estava em Mitte, muito próxima da Alexander Platz. Eram 2 da manhã, e o transporte público estava em pleno funcionamento. O problema, no entanto, é que a minha cabeça não estava funcionando tão bem assim. Após um dia inteiro de caminhada visitando algumas coisas por aqui, fui beber no hostel de um amigo português que estava em Berlin. Lá pelas 2h, achei que estava na minha hora de xixi-banho-cama.

Nevava muito. Alguns italianos estavam fazendo guerra de bolas de neve na rua. Entrei no jogo. Confesso que engoli um bocado de neve na brincadeira, mas também sujei alguns deles. Passado o momento playground da noite de temperatura negativa, caminhei até o que parecia ser a minha estação de tram. Nem reparei que o M4 não passava por ali. Era o ponto do M5. Ele chegou, eu entrei. Daí que me dei conta.

Desci na estação seguinte e decidi pegar um táxi. Neve na cabeça, casaco todo branco, pés molhados. Esperei uns dois minutos e desisti: “Vou caminhar”, disse a mim mesma. Olhei no aplicativo, que informou que até a minha casa seriam mais ou menos 2km. Ele me mandou cruzar um parque, que fica a beira da minha casa. Pensei com os miolos que ainda não haviam congelado e achei mais seguro prosseguir pela calçada.

Tudo branco. Ninguém na rua. O único som que eu ouvia era o dos floquinhos tocando o chão. Passei por alguns táxis, que estavam todos ocupados. Afinal, valia a tentativa porque quatro euros a menos não iriam me matar. Fatal seria se eu caísse na rua, por queda de pressão ou por ter me machucado de alguma forma. Não foi o caso 🙂

Segui em frente e comecei a perceber que outras poucas pessoas também estavam encarando uma caminhadinha na neve. Fiquei com medo, final, sou brasileira. Andar na rua de madrugada não faz parte do meu metiê. Todo mundo de casaco escuro e capuz. Um pouco macabro. Depois percebi que eu trajava o mesmo que aqueles gato-pingados. Se fossem brasileiros, também poderiam ter se assustado com a minha presença.

Descartada a passagem pelo meio do parque, andei um pouco mais que o previsto. No trajeto final, decidi inovar: coloquei música alta para espantar a gangrena dos pés. Por aqui, nunca vi pessoas ouvindo música na rua sem fones. No Brasil, está cheio de “dj’s do ônibus”. Até em Portugal tem uns gunas que fazem isso no metro.

Enfim, a bateria do celular acabou na reta final. Não resisti a um bocado de neve que se acumulou por cima de um banquinho. De qualquer forma, tinha sede. Juntei um pouquinho com ambas as mãos e experimentei o picolé de água. Não sei porque sempre caio na tentação de fazer isso.

O parque pelo qual eu deveria ter atravessado #medo

O parque pelo qual eu deveria ter atravessado #medo

Vazio e silecioso

Vazio e silecioso

Tudo branquinho enquanto nenhum carro passa por cima para deixar a neve marrom

Tudo branquinho enquanto nenhum carro passa para deixar a neve marrom

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