Tag Archives: Praha

Praha

Eu aprendi a amar a República Tcheca em Portugal. Lembro como se fosse hoje do dia em que conheci meu ex-namorado, que tem o nome tcheco mais comum e o sobrenome tcheco mais famoso – mas isso eu só descobri depois. Achei engracado quando ele, e a amiga dele – que hoje é minha amiga! – me contaram que viviam em Brno. “What?”, eu reagi. Nina me explicou: “É a segunda maior cidade da República Tcheca”. Fiz cara de quem-sabe-tudo, mas ela percebeu que eu não sabia nada. “Eu só ouvi falar sobre Praga, sorry”, disse com cara de boba. Eles riram.

Meses após, visitei a República Tcheca pela primeira vez. O coracão da Europa. Hoje, meu coracão. Andei durantes dias por cantos que provelmente pouqíssimos estrangeiros pisaram: Široký Důl, por exemplo. Fui apresentada pessoalmente a Brno, e voltei pelo menos tres vezes lá. Circulei pela Moravia. Aprendi a gostar de Kofola (o que não é muito difícil), a pegar o pão com a mão no supermercado e a falar algumas bad-words. Percebi que apesar da maconha ser ilegal, todos os tchecos carregam um pouco no bolso. Aliás, já visitei uma plantacão particular da mesma no interior do país.

Nesse último final de semana, voltei a Praha. A chamo assim mesmo, com H. Me parece inapropriado dizer que o nome da capital da República Tcheca é Praga, com G. Isso soa como uma coisa ruim, o contrário do que a cidade é.

Além de colocar a fofoca em dia com a Nina, visitei novamente todos os pontos turísticos. Praha é diferente na primavera. A outra vez, fui no outono. Fica mais colorida, mas não perde o jeito de conto de fada. As ruas estreitas do centro podem ser facilmente entendidas em duas horas de caminhada. Para mim, bastava sentar a beira do rio ou nas escadas que levam ao castelo. Seria suficiente apenas observar as pessoas e respirar o ar tcheco.

Engracado foi a viagem de onibus até lá. Eurolines, 69 euros por ida e volta saindo de Berlin. Notei instanteneamente quando cruzamos a fronteira, mesmo sem ver placa alguma. A paisagem muda, o asfalto também. Obviamente é um país mais pobre que a vizinha Alemanha, mas o encanto está exatamente nisso. Não é preciso ser tecnológico ou super desenvolvido para ser um bom lugar de se viver – ou, no meu caso, por enquanto, visitar.

Os tchecos (e as tchecas) são todos muito bonitos, apesar de alguns parecerem “judiados”. Certa vez, me explicaram que por causa da localizacão geográfica do país, a mistura etnica foi grande. Todos passavam por ali desde sempre, já que está no centro da Europa. “Quando mais misturado um povo é, mais bonito fica”, alegaram. Verdade. Me sinto como um peixe fora da água lá. Apesar dos rostos e corpos bonitos (principalmente os bracos, sabe-se lá porque!), o mau gosto para se vestir impera: Nunca vi gostarem tanto de cores fortes e usá-las todas ao mesmo tempo; nunca vi tanta paixão por calcas militares e brincos enormes.

Creio que a República Tcheca é a verdadeira Europa. Nada de grandes corporacões ou consumismo exagerado. Nota-se que o desenvolvimento não chegou a certas cidadezinhas de lá, mas o povo não parece preocupado em te-lo. Ao contrário de Portugal, onde vivi por dois anos, os tchecos não reclamam de crise, do governo ou da vida. Eles sabem que crises sempre existiram, que os governos tendem à corrupcão e que a vida precisa ser aproveitada mesmo com todos os problemas.

Os santos que fazem milagres na Karlův most (Charles Bridge). Voce faz um pedido, esfrega a mão na parte dourada (na base) e ele se realiza. Eu garanto ;)

Os santos que fazem milagres na Karlův most (Charles Bridge). Voce faz um pedido, esfrega a mão na parte dourada (na base) e ele se realiza. Eu garanto 😉

Svíčková hovězí pečeně na smetaně: Tem que comer. Recomendo um restaurante chamado Lokal

Svíčková hovězí pečeně na smetaně: Tem que comer. Recomendo um restaurante chamado Lokal

O tal do relógio para o qual todos olham nas horas fechadas. O mais legal é o esqueleto e seu sininho :)

O tal do relógio para o qual todos olham nas horas fechadas. O mais legal é o esqueleto e seu sininho 🙂

Essas casas tem mais idades que o Brasil. Aquela senhora mora em um dos lugares mais turísticos: as escadarias que levam ao castelo

Essas casas tem mais idades que o Brasil. Aquela senhora mora em um dos lugares mais turísticos: as escadarias que levam ao castelo

A ponte do Carlos (hehe) foi construída no século XIV, mas reformada posteriormente. O pai do meu ex foi um dos que construiu essas colunas de sustentacão

A ponte do Carlos (hehe) foi construída no século XIV, mas reformada posteriormente. O pai do meu ex foi um dos que construiu essas colunas de sustentacão

Fiquei impressionada comigo mesma. Me situo tão bem em Praha que parece que vivi lá. Aliás, se alguém me diz que a língua é complicada, não terá meu apoio: Se voce conhece o som das letras, pode ler qualquer palavra em tcheco. É fácil, e o ouvido se acostuma rapidamente. Melhor do que portugues, acredite. Até porque, meus amigos tchecos tentaram aprender minha língua e não tiveram sucesso. Já eu consigo pedir comida, bebida (o mais fácil!), perguntar onde é o banheiro, negar cigarros, dizer obrigada, olá, tchau, como vai e esses blábláblá todos. Sei ler placas também. Especialmente as quais está escrito ZAKÁZÁNO!!! 🙂

Leave a comment

Filed under Durante