Tag Archives: TAP

Alemanha, cheguei!

Ainda tenho carimbada a noite passada na minha mão. Fui a uma danceteria de música eletrônica. Mas eletrônica mesmo, daqueles tunti-tunti que parece que está tocando a mesma coisa a noite inteira. Supostamente a música lá tem um ritmo mais latino. Balela. Não vi nada de latino no requebrado dos alemães. Apesar disso, o pessoal é mesmo muito animado e dança a noite toda. Sem parar. O tempo todo. Muito mais animado do que qualquer brasuca dançando Naldo.

Cheguei por volta do meio-dia de sexta-feira em Berlin, e estava um frio inexplicável. A TAP, para variar, quebrou minha mala. Tenho que telefonar para eles virem pegar ela e consertar (pelo menos aqui tenho essa opção!). Conheci dois portugueses no voo. Na verdade, um português e uma portuguesinha. Me dei conta que, apesar de ter vivido um bom tempo em Portugal, nunca tive contato com crianças, nunca havia prestado atenção na maneira como falam. E, nossa, como falam! E conversam bem, parecem adultos a falar. O sotaque português torna a coisa ainda mais séria, com construções de frase totalmente corretas e sem gírias. 

Creio que Mariana, a miudinha de 7 anos,  e o pai dela, o Bruno, tenham sido os meus melhores companheiros de poltrona de avião até o momento. Eu sempre costumo puxar papo com quem senta ao meu lado. Alguns não dão muita trela. Outros preferem dormir a conversar. Mas, apesar do meu cansaço acumulado dos últimos dias, não dormi no voo de Lisboa a Berlin. Fiquei a tagarelar.

Ao chegar em Berlin e constatar que minha mala estava Kaputt (ou avariada), fui ao balcão reclamar. Para minha surpresa, Mariana e Bruno, que viajavam só com bagagem de mão, estavam a minha espera no portão de desembarque. “A Mariana não queria deixar a amiga, então ficamos a te esperar para irmos juntos ao centro”, disse-me Bruno. Antes disso, a Mariana já tinha me dito algo como “és muito simpática, Fernanda”. Sério, foi a coisa mais linda que eu já ouvi. Ainda mais vindo da boca de uma criança de 7 anos que conversa como gente grande!

O ponto de encontro com a Stefanie, a alemã que está me hospedando, era a Alexander Platz. Mais precisamente a loja Saturn, que fica em um dos cantos e tem uma fachada laranja. Fiquei algum tempo ali, entre a porta e a rua, aproveitando-me do arzinho quente da calefação. Estava a nevar bem fininho. Me pareceu uma boa recepção e eu nem reclamei de ter que carregar uma mala de 27kg, uma mochila de 15kg e outro mais pequenina.

Eu pensava que tinha marcado com a Stefanie às 13h30, e já estava lá na Saturn há alguns minutos. Decidi pedir um celular emprestado para telefonar-lhe. O primeiro alemão que parei já me ajudou. Ligou a ela e perguntou quanto tempo demorava. Ela chegou uns cinco minutos depois.

Seguimos de carro até o apartamento que fica em Prenzlauerberg. Combinamos que nossa língua oficial de comunicação seria o inglês. Pretendo começar a falar somente em alemão em alguns dias, mas, por enquanto, melhor descansar um pouco a cabeça, pois ainda estou um bocado confusa com tanta mudança idiomática em tão pouco tempo. Ao chegar, fui logo tocar na neve acumulada nas calçadas e jardins (até experimentei-a!). Depois, comemos, e eu dormi até-que-enfim!

Lá pelas 22h, começamos a nos arrumar para a festa. A tal da festa com música-latino-eletrônica-que-de-latina-não-tem-nada. 12 euros não consumíveis valem o carimbo de entrada. Paga-se mais 1 euro para deixar “metade do guarda-roupa” na chapelaria, sim né, porque eu estava usando todas as roupas que encontrei pela frente por cima do vestido. Bebemos qualquer coisa com vodca misturada com ginger bier, que me pareceu ser popular por aqui. Se você devolve o copo no bar, ganha 50 cêntimos de volta. Por conta disso, não há garrafas ou copos espalhados pelo chão. Apesar do local ser um tanto antigo e ter ares de underground, é bem limpinho e organizado.

A parte mais engraçada da noite, no entanto, foi a maneira como nos dirigimos a festa. Reservamos um carro em casa por meio de um aplicativo no celular. A app nos informou onde o carro estava estacionado, e fomos até lá. A Stefanie passou a carteira de motorista, que tem um chip, no vidro e as portas abriram. Ela dirigiu até a festa, estacionamos o carro na rua e pronto. 29 centavos por minuto de uso. Detalhe que os bancos são aquecidos. Aliás, outro detalhe que vale ressaltar é que era um Mini. Tão giro (“bonitinho” para os amigos que vão começar a reclamar que eu estou a falar como portuguesa novamente).  Sabe quando teremos coisas assim no Brasil? Depois que eu morrer, certamente.

 

Serviço:

Festsaal Kreuzberg 

Skalitzerstrasse 130

10990 – Berlin

Ingressos a 12 euros, não consumíveis. Bebidas, em média, por 6 euros.

2 Comments

Filed under Durante

O Porto continua giro

O aperto no coração iniciou no momento em que meti meus pés dentro do avião da TAP, ainda em Porto Alegre. A hospedeira (aeromoça) disse-me “boa noite” em português de Portugal e eu já abri um sorriso: vou para a terrinha! Chegando em Lisboa, na manhã de terça (parti na segunda a noite), por volta das 10h30,  tive que fazer um verdadeira maratona para apanhar o comboio (trem) até o Porto. Fui a primeira do voo de 200-e-tantos a passar pela imigração. Corri um bocado para chegar ao feito. Cinco minutos de explicações depois, já estava com a entrada carimbada. Tive também sorte porque minha mala foi uma das primeiras a aparecer na esteira. Já passava das 11h quando deixei o aeroporto, apanhei (peguei) o metro e segui para a estação Oriente.

Ao comprar o bilhete, meio esbaforida, perguntei ao gajo (cara): “Qual o próximo comboio para o Porto?” Ele disse-me que era o das 11h39. E eu: “Que horas são?” Ele: “11h37”. Corri até a plataforma, com o bilhete de um pouco menos de 25 euros, para as três horas de viagem mais palpitantes da minha vida. O coração dava saltos a cada vez que o comboio passava por uma estção conhecida: Coimbra, Aveiro, Espinho e etc. Quando chegamos a Gaia, cidade ao lado do Porto, me preparei. Em pouco tempo cruzaríamos uma das seis pontes do Douro. Fiquei sem palavras quando vi a D. Luis, a Ribeira, algumas caves e o mar. Enxerguei ainda a ponte Arrábida. Um dos gajos que estava sentado ao meu lado disse: “Mas a menina está maravilhada!” E eu estava mesmo. De boca aberta e tudo. O Porto é a cidade mais linda, não só da Europa, como do mundo.

Em Campanhã, troquei de comboio e fui até a estação de São Bento. Cruzei uma avenida dos Aliados em clima de festa: à noite, o Porto enfrentaria o Málaga no Estádio do Dragão. Eu, com uma big mala e um sorriso no rosto, atravessei por meio das pessoas dizendo “peço desculpa” até a rua do Almada, onde fica o Porto Lounge Hostel (aliás, o melhor hostel do Porto, de Portugal, da Europa e do mundo!).

Meus três dias no Porto resumiram-se a compras, resolução de problemas no banco e nas duas faculdades que cursei, copos, comida e copos. Aliás, muitos copos! Bati ponto no Piolho e arredores todas as noites. Bebi tudo que não bebia desde que deixei Portugal em 2011. E é sério, não fica-se mal como no Brasil. Creio que até a bebida alcoólica é melhor do lado de cá. Não dormi quase nada. Acordei o mais cedo possível e dormia só depois da noite acabar. Tinha muitos amigos a visitar, dar beijinhos e falar da vida.

Os portugueses, como sempre, foram espetaculares. Eu não consigo parar de elogiar aquele povo que, além de educado e gentil, faz de tudo para agradar aos amigos e nos ver bem. São mesmo “cinco estrelas”, como diz-se cá. Tirei poucas fotos, como sempre, mas fiz boas compras. As coisas são ridiculamente mais baratas. Chega a ser triste perceber que somos verdadeiramente enganados ao compras qualquer coisa no Brasil.

No mais, me senti em casa. De volta a casa. A minha casa. É muito estranho visitar uma cidade que já se conhece tão bem. Até ajudei turistas com informações na rua. Lembrei perfeitamente das linhas de autocarro (ônibus) que precisava apanhar e também das estações de metro. Aliás, as sei decor. Aliás, a voz que fala no metro mudou. Em Trindade, já não dizem mais “Trindade, ligações com autocarro, blablabla, se deseja seguir no sentido Hospital São João ou Dom João II deve mudar para a linha D”. Agora a voz, que é mais simpática, pede para revalidar o ticket em caso de conexão. E isso foi a única coisa que mudou. Até mesmo os caixas do Pingo Doce continuam os mesmos, e um deles me reconheceu: “Eu lembro da menina. Faz uns seis meses que não apareces cá.” Enfim, tem mais tempo, mas eu não quis ser estúpida.

Não fui a Ribeira nem a Foz, e isso é uma pena. Comentei com a Ana, minha amiga açoriana que não gosta de ser chamada de portuguesa, e ela disse-me: “Tu já foi demais a esses sítios, não há problema.” Tem razão. Eu sempre digo que o mais importante em qualquer lugar são as pessoas. Viajo para encontrar pessoas e não conhecer lugares. Foi exatamente como gastei meu tempo na terrinha.

2 Comments

Filed under Antes, Durante